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Respostas de Vassula À CDF através do Pe. Prospero Grech

Questão 2. A minha relação, como cristã ortodoxa, com a Igreja Católica Romana.

"A senhora pertence à Igreja ortodoxa e exorta muitas vezes os sacerdotes e bispos desta fé a reconhecer o Papa e a fazer as pazes com a Igreja romana. Por isso mesmo, infelizmente, não é acolhida em certos países de própria confissão. Por que empreende a senhora esta missão? Qual é a sua idéia sobre o bispo de Roma e como prevê o futuro da união cristã? Lendo as suas obras, no entanto, tem-se por vezes a impressão de que se coloca acima das duas Igrejas, sem estar comprometida com alguma delas. Por exemplo, parece que a senhora recebe a Comunhão nas duas Igrejas, católica e ortodoxa; mas, no seu estatuto matrimonial, segue o costume da oikonomea. Como já lhe disse, estas observações não se entendem como uma censura pessoal, que não temos de modo algum o direito de julgar a sua consciência; mas compreende a nossa preocupação em ordem aos Católicos que a seguem e poderiam interpretar estas suas atitudes de uma forma relativista e ser assim tentados a desprezar a disciplina da sua própria Igreja."

Motivação para empreender esta obra da União

Não creio que teria alguma vez tido a coragem ou zelo de fazer face à ortodoxia, para os levar a compreender a reconciliação que o Senhor deseja deles, se não tivesse vivido a experiência da Presença de nosso Senhor, e tão pouco teria suportado as oposições, as críticas e as perseguições que eles me têm feito sofrer. No início da intervenção de Deus, eu sentia-me totalmente desconcertada e tinha medo de ser enganada. Esta incerteza foi realmente a maior cruz porque, em toda a minha vida, eu jamais tinha ouvido dizer que, neste nosso tempo, Deus poderia falar a pessoas e não conhecia ninguém a quem pudesse interrogar a este respeito. E por isso mesmo, eu tentei rejeitar esta manifestação; mas a experiência não me deixava e, mais tarde, lentamente, com o tempo, comecei a sentir-me tranquila e a ter confiança de que tudo isso era unicamente obra de Deus, porque comecei a ver nisso a Mão de Deus. E foi por isso que eu deixei de ter medo perante as oposições e críticas e tive uma total confiança em nosso Senhor, sabendo que, onde eu faltasse, Ele Mesmo tudo faria, apesar da minha insuficiência, e a Sua obra se realizaria sempre de uma forma gloriosa.

Aproximar-me dos sacerdotes, monjes e bispos ortodoxos, para que eles reconhecessem o Papa e para que se reconciliassem sinceramente com a Igreja romana, não é tarefa lá muito fácil, como o diz nosso Senhor numa das Suas mensagens; é como tentar remar na direcção oposta de uma poderosa corrente; mas depois de ter visto quanto nosso Senhor sofre com a nossa divisão, não podia recusar a nosso Senhor o Seu pedido, quando me pediu que levasse esta cruz. Por isso, eu aceitei esta missão, não sem ter no entanto passado (e passo sempre) por um sem número de fogos.

O senhor perguntou-me: "Porque empreende a senhora esta missão?" A minha resposta é: porque fui chamada por Deus, segundo eu acreditei, e correspondi-Lhe; por isso, quero fazer a Vontade de Deus. Uma das primeiras palavras de Cristo foi: "Que casa é mais importante, a tua casa ou a Minha Casa?" Eu respondi: "a Vossa Casa, Senhor". E Ele disse: "Reaviva a Minha Casa, embeleza a Minha Casa e une-a".

Alguns, na hierarquia greco-ortodoxa, rejeitam-me totalmente, primeiro, porque me não acreditam 4 ; em segundo lugar, porque sou uma mulher; e em terceiro lugar, porque uma mulher não deve falar. Alguns dos monges desconfiam de mim, dizendo que sou provavelmente um cavalo de Tróia enviado e pago pelo Papa, ou mesmo que sou uma Uniata. Muitos não querem ouvir falar de reconciliação nem de ecumenismo. Consideram que eu cometo uma heresia, se rezo com os Católicos romanos. É isso que eles consideram como colocar-se acima das Igrejas, sem estar comprometida com uma delas. Eu estou plena e completamente comprometida na Minha Igreja, mas não é uma heresia nem um pecado viver de uma forma ecuménica, rezando com outros Cristãos, para promover a União. Entretanto, segundo nosso Senhor nos escritos, a chave da União é a humildade e o amor. Contudo, muitas das Igrejas não têm esta chave. Muitos greco-ortodoxos, leigos, mas também simples sacerdotes de bairro, e até monges de mosteiros afastados, qualificam a Igreja católica romana de herética e de perigosa; ensina-se-lhes a acreditar nisso, desde o seu nascimento; ora isso é falso. Sim, eu creio que, na sua rigidez, podem mudar através de uma metanóia e pelo poder do Espírito Santo que os fará dobrar, e pelas orações dos fiéis. Nas nossas reuniões, pedimos sempre a Deus esta mudança dos corações.

Apesar disso, não se trata de dizer que sejam só eles a precisar de se dobrar. Cada um deve dobrar pela humildade e pelo amor. As gentes de cada Igreja devem estar desejosas de morrer para o seu ego e para a sua rigidez e, então, através deste acto de humildade e de obediência à Verdade, a Presença de Cristo resplandecerá neles. Eu creio que, através deste acto de humildade, as falhas passadas e presentes das Igrejas serão afastadas e a união será realizada. Jamais perdi a esperança de me aproximar dos Ortodoxos, e é por isso mesmo que eu continuo sempre a virar-me para eles, a fim de lhes dar o meu testemunho. E o meu testemunho é-lhes dado, lembrando-lhes estas palavras de nosso Senhor: "Para que todos sejam um só; como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu em Ti, que também eles estejam em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste" (Jo 17,21). Deste modo, apesar dos obstáculos, alguns grupos de oração ecuménicos se formaram em Atenas e em Rodes, incluindo sacerdotes ortodoxos. Todos estes grupos de oração começaram por rezar o Rosário e, depois, outras orações. Apesar disso, eu não tenho recebido apenas recusas por parte da hierarquia ortodoxa, mas nosso Senhor tem-me dado um bom número de amigos, entre o clero ortodoxo grego.

O Bispo de Roma

Nosso Senhor deu-me uma visão interior de três barras de ferro - símbolo dos três principais corpos cristãos, os Cristãos católicos, ortodoxos e protestantes - convidando as suas cabeças a dobrar-se, a fim de que se reencontrem. Mas, para se reencontrar, elas têm necessidade de se dobrar. Esta passagem fala da atitude que é necessária para chegar à União a que aspira o Senhor, desde a Sua própria oração a Seu Pai: "que todos sejam um". Esta passagem não pretende falar da União a um nível ontológico, desejando que não haja diferenças a tal ponto, que os diferentes grupos cristãos têm defendido a verdade que Cristo conferiu à Sua Igreja. E não é verdade que eu pretenda que este apelo à humildade entre os irmãos cristãos deva implicar uma aproximação pan-cristã da União e que esta União deva ser promovida através de uma comercialização da verdade (como um comerciante, vendedor ou comprador), que leva a um nivelamento e a um relativismo da verdade. Pelo contrário, muitas vezes tenho falado da importância de se manter fiel à verdade e mesmo mais que o meu discurso, a própria mensagem não é nada mais que um contínuo apelo a viver pela verdade do Evangelho na única Revelação de Cristo, como acima fica expressa. Os escritos contêm muitas advertências ou sobreavisos contra a atitude contrária, a ponto de descrever um "falso ecumenismo" como um cavalo de Tróia para introduzir uma imagem de Cristo sem vida:

"Essa figura pintalgada de cores extravagantes, a imagem que esses vendilhões tentam fazer-vos venerar e seguir, não sou Eu: É uma invenção da habilidade humana pervertida, para degradar o conceito da Minha Santidade e da Minha Divindade; é um falso ecumenismo; e um desafio a tudo o que é santo. Eu sofro com os pecados destes vendilhões" (22.10.1990).

Muitas mensagens sobre a União conservam simultaneamente estes dois aspectos vitais do ecumenismo: a atitude espiritual que implica humildade e amor para com os outros Cristãos e a procura sem compromisso da verdade de Cristo. Encontra-se um exemplo disto mesmo numa passagem em que a Virgem Maria fala das estruturas da União:

"O Reino de Deus não é feito apenas de palavras dos lábios. O Reino de Deus é Amor, Paz, União e Fé, nos corações; e é isso a Igreja do Senhor, unida a Uma Só, no íntimo dos vossos corações. As chaves da União são o Amor e a Humildade. Jesus nunca vos induziu a dividir-vos; essa divisão, na Sua Igreja, não era Seu desejo" (23.9.1991).

Um pouco mais adiante, na mesma mensagem, Jesus fala da verdade: "Defende sempre a Verdade até a morte; de vez em quando, tu serás criticada estupidamente, mas serei Eu Mesmo a permiti-lo, apenas o tempo suficiente para que a tua alma se mantenha pura e dócil" (tema reiterado em 5.6.1992; 25.9.1997, 22.6.1998, etc.).

Eu tenho tido diferentes encontros com o clero católico, nos Estados Unidos, na, Holanda e particularmente na Suíça, onde por norma se é muito liberal e muito orientado contra o Papa. Tantas vezes me foi necessário tomar a defesa da Cadeira de Pedro e explicar-lha da melhor forma que pude, através de poderosas mensagens que vieram de Cristo, mostrando-lhes quanto os seus espíritos estavam confusos. Por fim, muitos desses sacerdotes vieram dizer-me como tinham apreciado estes esclarecimentos. No entanto, não faltaram alguns que não estavam de acordo, dizendo-me que era mais católica que os próprios Católicos... Embora haja muitas passagens sobre a União, que se referem à união entre as Igrejas, há também um bom número delas que são particularmente escritas para os muitos sacerdotes católicos que se revoltam contra o Papa, a fim de os levar à fidelidade a este último. Eis um exemplo delas:

"Eu, o Senhor, não quero divisão alguma, na Minha Igreja. Por Meu amor, unir-vos-eis e, sob o Meu Nome, vós amar-Me-eis. Segui-Me e sede Minhas testemunhas. Amar-vos-eis uns aos outros, como Eu vos amo. Unir-vos-eis e sereis um só rebanho e um so Pastor 5 . Como todos vós sabeis, escolhi Pedro, dando-lhe a autoridade. Como todos vós sabeis, Eu Mesmo lhe dei as Chaves do Reino dos Céus. Pedi a Pedro que alimentasse os Meus cordeiros e as Minhas ovelhas e que cuidasse deles 6 . Esta autoridade foi dada por Mim. Eu não desejei que alterásseis a Minha Vontade" (19.3.1988).

Uma outra mensagem, falando do futuro da União, aborda o assunto ainda mais claramente:

"Porei, então, nas mãos de Pedro, um ceptro de ferro, com o qual guardara as Minhas ovelhas. E, quanto àqueles que não sabem e se interrogam ainda: "Mas para que devemos nós ter um guia?", Eu Mesmo vos direi isto: "Alguma vez ouvistes falar de um rebanho sem pastor?" Eu sou o vosso Divino Pastor e escolhi Pedro para guardar os Meus cordeiros até ao Meu Regresso; dei-lhe a responsabilidade. Para que, pois, todas essas disputas? Para que, todas essas fúteis discussões? E aqueles que não conhecem ainda as Minhas Palavras, digo que as leiam nas Escrituras, que elas estão no testemunho de João, Meu Discípulo 7 . Eu, pois, unirei a Minha Igreja e rodear-vos-ei com os Meus Braços, num só rebanho porque, actualmente, vós estais todos dispersos pelo proliferar de tantas comunidades, em grupos divididos. O Meu Corpo, tende-lo vós próprios lacerado e isso NÃO PODE SER! Eu vou unir-vos a todos" (16.5.1988).

Outras mensagens falam do Papa como o Vigário de Cristo ou o Vigário da Igreja. Eis um exemplo delas:

"Rezai por toda a Igreja; sede o incenso da Minha Igreja; e, com isto, quero dizer que rezeis por todos aqueles que proclamam a minha Palavra, pelo Vigário que Me representa, pelos apóstolos e profetas dos vossos dias, pelas almas sacerdotais e religiosas, pelo leigos, para que todos estejam dispostos a compreender que todos quantos Eu citei fazem parte de Um só Corpo: o Meu Corpo" (10.1.1990; outras referências: 1.6.1989; 2.3.1990; 10.10.1990; 18.3.1991; 20.4.1993; 20.12.1993; 15.4.1996; 22.10.1996; 20.12.1996).

Os escritos não contêm nenhuma menção do papel de Pedro em relação com as missões das diferentes sedes patriarcais, o que faz com que eu não possa falar disso mesmo. Mas sei que o próprio Papa, na sua encíclica "Ut unum sint" abre a discussão no teor seguinte:

"Todavia, é significativo e encorajador que a questão do primado do Bispo de Roma se tenha tornado actualmente objecto de estudo, imediato ou em perspectiva, e igualmente significativo e encorajador é que uma tal questão esteja presente como tema essencial, não apenas nos diálogos teológicos que a Igreja Católica mantém com as outras Igrejas e Comunidades eclesiais, mas também de um modo mais genérico no conjunto do movimento ecuménico. Recentemente, os participantes na V Assembléia Mundial da Comissão "Fé e Constituição" do Conselho Ecuménico das Igrejas, realizada em Santiago de Compostela, recomendaram que ela "desse início a um novo estudo sobre a questão de um ministério universal da unidade cristã". Após séculos de duras polémicas, as outras Igrejas e Comunidades eclesiais cada vez mais perscrutam com um novo olhar tal ministério de unidade" (Ut unum sint 89).

A mesma encíclica confirma a necessidade de reunir o Oriente e o Ocidente:

"Nesta perspectiva a Igreja Católica nada mais deseja senão a plena comunhão entre Oriente e Ocidente. Para isso, inspira-se na experiência do primeiro milênio. Nesse período, de facto, "o desenvolvimento de diferentes experiências de vida eclesial não impedia que, mediante relações recíprocas, os cristãos pudessem continuar a saborear a certeza de estarem na sua própria casa em qualquer Igreja, porque de todas se elevava, numa admirável variedade de línguas e entoações, o louvor do único Pai, por Cristo, no Espírito Santo; todas se reuniam para celebrar a Eucaristia, coração e modelo da comunidade, não só pelo que diz respeito à espiritualidade ou à vida moral, mas também para a própria estrutura da Igreja, na variedade dos ministérios e dos serviços, sob a presidência do Bispo, sucessor dos Apóstolos. Os primeiros Concílios são um testemunho eloquente desta constante unidade na diversidade" 8

Embora os escritos não falem dos domínios estruturais relacionados com o Oriente e o Ocidente, encontram-se neles muitas menções da importância da Igreja do Oriente. A par disso, o sublinhado, sem compromisso da importância do papel de Pedro, nas mensagens mais recentes. vai a par da idéia de que um renovamento espiritual poderia muitíssimo bem ser inspirado pela Igreja do Oriente. A partir de então, passa a ser ainda mais evidente que Cristo tem necessidade de respirar pelos Seus dois pulmões - que são as presenças orientais e ocidentais da Igreja:

"Casa do Ocidente, tu tens verificado, através da luz do Meu Espírito, que um corpo tem necessidade dos seus dois pulmões para respirar livremente e que o Meu Corpo continua imperfeito com um só pulmão. Roga que o Meu Espírito vivificador vos reúna a ambas, mas quanto terei Eu ainda de sofrer, antes!" 9 (27.11.1996).

Outra passagem semelhante:

" ... Reza para que a casa de Leste e a do Oeste se unam juntamente, como duas mãos que se unem em oração, como um par de mãos, semelhantes, e cheias de beleza sempre que se unem, dirigidas para o Céu, quando estão em oração. Que essas duas mãos, pertencentes ao mesmo corpo, se abram juntamente e partilhem a sua capacidade e os seus recursos uma com a outra... Que juntas, essas duas mãos Me elevem" (15.6.1995).

Uma outra mensagem fala do papel do oriente para reconduzir juntamente as duas casas, unindo o Corpo de Cristo:

"Escuta e escreve: "A Glória brilhará da margem do Leste. É por isso que Eu digo a Casa do Ocidente: Virai os vossos olhos para o Leste. Não choreis amargamente sobre a apostasia e a destruição da vossa casa. Não entreis em pânico, porque amanhã comereis e bebereis, juntos, com o Meu rebento da margem Leste: o Meu Espírito unir-vos-á. Não ouvistes que o Oriente (Leste) e o Ocidente formarão um só Reino? Não ouvistes que Eu Mesmo lhes estabeleci uma data?" 10 .

"Vou estender a Minha Mão e gravar num bastão as palavras: margem ocidental, casa de Pedro e de todos aqueles que lhe são fiéis. Depois, num outro bastão, gravarei: margem oriental (Leste) casa de Paulo e de todos os que lhe são fiéis; e, quando os membros das duas casas disserem: "Senhor, dizei-nos o que desejais, agora", Eu Próprio lhes direi: "Tomarei o bastão em que gravei o nome de Paulo, juntamente com todos os que lhe são fiéis e colocarei o bastão de Pedro, com todos os que lhe são fiéis e uni-los-ei. Dos dois, Eu Mesmo farei um só bastão e segurá-los-ei num só. Eu juntá-los-ei com o Meu Novo Nome. Esta será a ponte entre o Ocidente e o Leste. O Meu Santo Nome unirá a ponte. Então, vós mesmos fareis permuta daquilo que possuís, através desta ponte. Eles não mais agirão sós, mas juntos; e Eu reinarei sobre todos eles".

Aquilo que Eu planejei acontecerá e, se os homens te disserem, Minha filha, que estes sinais não vêm de Mim, diz-lhes: "Não tenhais medo. Não ouvistes dizer que Ele é o Santuário e também a Pedra de escândalo? O Rochedo que pode demolir as duas casas, mas voltar a erguê-las n'Uma Só Casa?" " (24.10.1994).

De novo, esta mensagem nada nos diz a respeito do papel da autoridade de Pedro, mas sublinha a importância de reunir as partes oriental e ocidental do Corpo de Cristo, a fim de que o mundo possa acreditar.

O futuro da Unidade Cristã

Embora a mensagem confirme o primado de Pedro, bispo de Roma, conhecido, tanto na tradição oriental como na ocidental, ela não fala das questões de jurisdição. Eu creio que não fui chamada a exprimir-me a este respeito; por isso, abstenho-me de o fazer, de qualquer forma que seja.

O meu apelo, ao inspirar a construção da União e ao reforçar as suas estruturas internas, tem por fim confirmar a importância do Papa e fazer a defesa da sua Cátedra, face a todos quantos tendem a desobedecer-lhe e a revoltar-se contra ele. O meu primeiro apontamento da União é o da União pela espiritualidade. A mensagem é um apelo à União, simultaneamente intra nos e extra nos - um apelo a reforçar as dinâmicas da União, tanto no seio das Igrejas particulares como entre si.

Eu não sei com que se irão parecer as futuras estruturas da Igreja unificada, pelo facto de o próprio Senhor não ter falado disso, como tão pouco me favoreceu com qualquer luz a esse respeito; mas creio que a União virá através da espiritualidade; e creio que me foi concedido um ante-gosto da graça desta futura União, nos momentos das muitas reuniões ecuménicas já vividas.

Em Março de 2000, por exemplo, o Senhor permitiu aos nossos grupos de oração que se reunissem, na Sua própria cidade natal, Belém, 450 pessoas que vieram de todas as partes do mundo, sim, com a participação de mais de 55 países e de 12 Igrejas diferentes, numa reunião internacional de oração pela paz e pela União. Estávamos reunidos como numa única família. Estavam connosco 75 membros do clero de 12 Igrejas diferentes, assim como membros do clero da Terra Santa que, tendo ouvido falar desta reunião de oração, igualmente se juntaram a nós. Este acontecimento ecuménico era coordenado por vários Israelitas e Palestinianos, que ficaram verdadeiramente impressionados com os escritos de "A Verdadeira Vida em Deus". Acreditaram na redenção de Cristo e no Seu plano salvador nestes nossos dias, e sentiram-se levados a organizar voluntariamente esta reunião. Quando se sabe quanto, em nossos dias, Palestinianos e Israelitas se degladiam uns aos outros, a sua reconciliação é um sinal do poder do Espírito Santo, que uniu pessoas destas duas nações, para trabalharem numa reunião pela paz entre os Cristãos divididos. Como diz a Escritura: "Os artífices da paz, quando trabalham para a paz, semeiam sementes que darão fruto de santidade" (Jm 3,18). É uma lição para todos nós.

Nós já vivemos e temos sentido um ante-gosto daquilo com que se parecerá um dia a União entre os Cristãos. Foram-nos dadas lições ou alocuções sobre a União por membros do clero de diferentes Igrejas. Os seus discursos soavam, como se fossem pronunciados a uma só voz e com um só espírito. Durante as suas alocuções, todos nós sentimos o grande desejo de sermos apenas um. Vimos e fomos testemunhas da sede de União que têm os leigos e o clero. Mas sentimos ao mesmo tempo as grandes chagas exteriores que a nossa divisão tem infligido no Corpo de Cristo.

Na maioria, estamos verdadeiramente cansados desta divisão, porque ela não está conforme com a lei do amor de nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus está mesmo cada vez mais cansado de nos ver divididos. Os gritos e aclamações de alegria de todas estas nações que estavam simultaneamente soldadas, apelando para uma União completa entre os Cristãos, puseram bem à mostra que esta divisão não é apenas um pecado, mas é também um contra-testemunho. Entretanto, o maior pecado contra a União é ter datas de Páscoa separadas. Como seria bom gritarmos todos juntos: "Christos Anesti", a uma só voz, e todos no mesmo dia. Todos dizemos "seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no Céu..." Jesus Cristo uniu-nos pelo Seu Sangue; e por conseguinte, como podemos nós negar esta União? "Ele é a nossa paz, Ele que de dois povos fez um só, destruindo o muro de inimizade que os separava, anulando, pela Sua Carne, a Lei, os preceitos e as prescrições, a fim de, em Si mesmo, fazer dos dois um só homem novo, estabelecendo a paz" (Ef 2,14-15).

Como podemos nós dizer "não" a Deus, se a verdade é Ele querer que nos unamos? Será possível que nossos corações se tenham endurecido? Teremos nós esquecido as palavras do Santo Padre, quando disse: "Os elementos que nos unem são muito maiores que os que nos dividem"? Nesse caso, temos que recolher estes elementos e servir-nos deles para aplanar o caminho de uma completa União.

A Sagrada Escritura e a partilha eucarística

No Catecismo da Igreja Católica está dito, citando-se Santo Agostinho, a propósito da Eucaristia:

"Perante a grandeza deste mistério, Santo Agostinho exclama: "O Sacramentum pietatis! O signum unitatis! O vinculum caritatis - Ó mistério da piedade! Ó sinal da unidade! Ó vínculo da caridade! (Jo 26, 6 e 13). Quanto mais dolorosas se fazem sentir as divisões da Igreja, que quebram a comum participação na mesa do Senhor, tanto mais prementes são as orações que fazemos ao Senhor para que voltem os dias da unidade completa de todos os que crêem n'Ele" (CEC 1398).

O Senhor pressiona-nos a reconciliar-nos e a unir-nos. Um cardeal católico bem conhecido disse recentemente a um sacerdote ortodoxo de meus amigos de New York, que assistia à Missa do cardeal, em Roma - e é também esta a minha convicção - que tem de ser possível obter de novo esta União ao redor da mesa do Senhor entre Católicos e Ortodoxos, pois partilhamos os mesmos sacramentos e temos virtualmente a mesma fé, se bem que revestidos de expressões de fé e de devoções diferentes. Eu cheguei ao conhecimento do amor inflamado de nosso Senhor, das profundezas do Seu desejo de uma perfeita união do Seu Corpo e creio que Ele sofre com a nossa falta de amor e de comunhão. Por isso, não tenho maior desejo do que ver o Seu Corpo reunido e estou convencida de que nós, Cristãos, se amamos realmente Jesus Cristo, devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance para trabalhar na reconciliação dos membros separados do Corpo de Cristo.

No entanto, eu sei que esta União se não fará facilmente, mas só por um milagre de nosso Senhor. Embora nós devamos fazer tudo o que podemos para fazer avançar a União, Ele prometeu dar-nos esta União, que será obra do Espírito Santo porque, como eu já disse uma vez em 1992, ela virá tão de repente como a queda do muro de Berlim:

"A Misericórdia e a justiça realizam maravilhas, como jamais aconteceu, depois de tantas gerações... e a União descerá sobre vós como a Aurora; e tão inesperada como a queda do comunismo. Ela virá de Deus e as vossas nações chama-La-ão O Grande Milagre, o Dia Abençoado da vossa história" (10.1.1990).

A Igreja de Cristo é una, no sentido em que Cristo é um e não tem senão um só Santo Corpo. Foram as gentes da Igreja que se dividiram. Se os Cristãos forem capazes de vencer os obstáculos negativos que os separam, obstáculos que, segundo a Escritura, são contra a realização entre nós da unidade da fé, de amor e de devoção, o Pai ouvirá a oração já expressa por Seu Filho divino, quando disse: "Que todos sejam um só como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu em Ti, que também eles estejam em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste" (Jo 17,21).

Enquanto eu aguardo esta graça, tento seguir, o melhor que posso, os princípios, no estado presente dos meus afazeres, e estou convencida de não prejudicar de modo algum as consciências dos membros de qualquer Igreja. Na sua pergunta, encontra-se a seguinte passagem: "Lendo no entanto as suas obras, tem-se por vezes a impressão de que a senhora se coloca acima das duas Igrejas, sem que esteja comprometida com uma delas".

Na obra escrita, não há nada que possa dar a impressão de que eu me coloco acima das duas Igrejas. Como o senhor o escreve, parece que isso acontecerá mais no plano prático.

Quanto à minha forma de praticar a minha fé, sou Ortodoxa e estou plenamente comprometida com a minha Igreja. Todas as vezes que haja uma Igreja ortodoxa na vizinhança, não deixo nunca de participar na Missa de domingo, pelo menos; e evidente que tantas vezes as não há, como era o caso de Dacca, em Bangladesh, onde eu vivia. Precisamente antes de vir para Roma, onde vivo agora, eu vivi durante 11 anos na Suíça. Todos os domingos ia a nossa igreja ortodoxa, e o sacerdote grego de Lausanne, o Padre Alexandre Iossifides é minha testemunha, assim como os fiéis que vinham à igreja e me viam regularmente, a não ser que eu andasse em viagens, evidentemente.

No estrangeiro, durante as minhas viagens, onde sigo o programa por mim estabelecido, para dar o meu testemunho, por vezes - e eu desejaria acrescentar, bem raramente - pode acontecer que os sacerdotes católicos ou os Bispos do lugar que me convidaram a dar testemunho, terão programado uma Santa Missa pública no próprio lugar em que eu acabo de falar; então, eu fico na assembléia para a Missa, uma vez que ela faz parte do programa; e também eu recebo nela a Sagrada Comunhão.

Aqui, em Roma, vivo longe do centro, e muito longe da minha igreja greco-ortodoxa, que está situada no centro de Roma. Existe uma igreja ortodoxa em Tre Fontane, que eu frequento; mas a verdade é que eu não compreendo a língua e, deste modo, permito-me, de tempos a tempos, pois ando em viagens a metade do tempo, receber a Sagrada Comunhão no Santuário de Nossa Senhora do Divino Amor, situado a 3 km do meu domicílio.

Eu creio que o Segundo Concilio do Vaticano me permite fazê-lo, pois como é lembrado no Catecismo da Igreja Católica: "uma certa comunhão in sacris, portanto na Eucaristia, é "não só possível, mas até aconselhável em circunstâncias oportunas e com a aprovação da autoridade eclesiástica" - UR 15 (CEC 1399).

No decreto Orientalium Ecclesiarum do Vaticano II está escrito: "Aos orientais que, em toda a boa fé, se encontram separados da Igreja Católica, podem ser dados, se eles próprios os pedirem e se estiverem convenientemente dispostos, os sacramentos da Penitência, da Eucaristia e da Unção dos enfermos...".

O Código de Direito Canónico católico declara: "Os ministros católicos administram licitamente os sacramentos da Penitência, Eucaristia e Unção dos doentes aos membros das Igrejas Orientais que não estão em comunhão plena com a Igreja Católica, se eles os pedirem espontaneamente e estiverem devidamente dispostos; o mesmo se diga com respeito aos membros de outras Igrejas, que, a juizo da Sé Apostólica, no concernente aos sacramentos, se encontram nas mesmas condições que as Igrejas orientais referidas" (Can 844-3).

A carta enciclíca "Ut unum sint" do Papa João Paulo II continua estas afirmações ao referir-se à Orientalium Ecclesiarum: "Por causa dos estreitíssimos vínculos sacramentais existentes entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas, o decreto Orientalium Ecclesiarum pôs em evidência que "a praxe pastoral demonstra, com relação aos irmãos orientais, que se podem e devem considerar as várias circunstâncias das pessoas nas quais nem é lesada a unidade da Igreja, nem há perigos a evitar, mas urgem a necessidade da salvação e o bem espiritual das almas. Por isso, a Igreja Católica, consideradas as circunstâncias de tempos, lugares e pessoas, muitas vezes tem usado e usa de modos de agir mais suaves, a todos dando os meios de salvação e o testemunho de caridade entre os cristãos através da participação nos sacramentos e em outras funções sagradas" - n. 26 11 .

Quanto à relação com as Igrejas da reforma, as coisas são um pouco mais complexas. Muitos fiéis de educação protestante, que lêem "A Verdadeira Vida em Deus", tornam-se católicos por sua livre escolha, principalmente por causa dos temas relacionados com a Eucaristia. Jesus não fala, nas mensagens, da validade dos seus sacramentos, mas pressiona os Protestantes a amar de novo a Mãe de Jesus e a reconhecer o papel de Pedro:

"Vassula, chegou o momento de unir a Minha Igreja. Reuni-vos, bem-amados. Vinde e reconstruí essas velhas ruinas. Reconstruí a Minha velha Fundação, uma Fundação estabelecida pela Minha própria Mão. Honrai a Minha Mãe como Eu, que sou o Verbo e, cima de tudo, A honro; não deveria Eu, então, desejar que vós, que não sois senão cinza e pó, A reconhecêsseis como Rainha do Céu e A honrásseis? A Minha dor é ver como a Minha Criação reconhece tão pouco a Sua importância. Boa parte dos Meus discípulos isolaram-se completamente sob o nome de Lutero. Eles devem regressar a Pedro" (22.12.1987).

Numa outra mensagem, Cristo repreende os Cristãos que não conseguem ver a grandeza do Mistério da Eucaristia e a Divina Presença de Cristo que nele Se encontra:

"... E por isso, digo a essas igrejas, cujo clero não aceitou o Meu Mistério: "Tende senso e procurai-Me com fervor; dominai os vossos ressentimentos, também, contra Minha Mãe; possa cada raça saber que Minha Carne e Meu Sangue vêm de Minha Mãe. Sim, Meu Corpo vem da Santíssima Virgem, de sangue puro. Bendito seja o Seu Nome! Para salvar todos os humildes da terra que Me recebem e para lhes dar a vida imperecível, Eu passei a ser Pão para Me dar a vós. E por esta comunhão, Eu santifico todos os que Me recebem, deificando-os, para que eles mesmos sejam a carne da Minha Carne, os ossos dos Meus Ossos. Partilhando-Me a Mim que sou Divino, vós e Eu passamos a ser um só corpo, espiritualmente unido, passamos a ser familiares, porque Eu posso transformar-vos em deuses por participação; pela Minha Divindade, Eu Mesmo deifico os homens... (...) Agora, Eu sou julgado por homens. A Veste 12 que pode cobrir-vos, ornando-vos majestosamente, dando-vos uma metamorfose, divinizando-vos, é rejeitada por essas igrejas que não podem compreender o Meu Mistério... Hoje, de novo, Eu grito do Céu: "Irmãos, porque minais a Minha Divindade? Se pretendeis ser os que sabem o que é justo, então, por que motivo o vosso espírito pilha assim a Minha Igreja? Convido-vos a reinar Comigo, convido-vos a celebrar a Missa e a tomar parte no Divino Mistério, da forma como Eu verdadeiramente O instituí" ( ... ) Estas igrejas proclamam-Me real e glorioso, afirmam o Meu poder, proclamam o Meu indiscutível poder, cantam-Me os seus louvores, reconhecem a Minha Omnipotência e as Poderosas maravilhas, mas Eu torno-Me uma verdadeira pedra de escândalo ou embaraço, sempre que se trate de medir a magnificência da Minha Divindade e da Minha Presença na Eucaristia" (16.10.2000).

O estatus matrimonial

Pouco depois, na sua pergunta, diz que eu recebo por vezes a Sagrada Comunhão na Igreja católica romana: "Compreende a nossa preocupação em ordem aos Católicos que a seguem e poderiam interpretar estas suas atitudes de uma forma relativista e ser assim tentados a desprezar a disciplina da sua própria Igreja". Segundo o Direito Canónico, que acima citei e que prova que eu estou em total concordância com o Direito Cartónico da Igreja católica, eu não vejo razão alguma para que os fiéis católicos reajam de uma forma relativista.

Eu não sou a favor do divórcio e não tento promover entre os fiéis católicos a doutrina segundo a qual o novo matrimônio das pessoas divorciadas deveria ser permitido. O meu divórcio e o meu novo matrimônio civil realizaram-se antes da minha conversão. Depois da minha conversão, à luz das mensagens de "A Verdadeira Vida em Deus", eu descobri que a minha situação matrimonial não era regular. Todavia, além de mim própria, ninguém conhecia esta situação e, uma vez mais, fui eu própria que o deplorei publicamente. Denunciei a minha própria situação no momento em que, de facto, ninguém sabia nada disto. Tendo tomado consciência da minha situação, aproximei-me das autoridades de minha Igreja, em Lausanne, e passei por um processo de completo esclarecimento sobre as regras matrimoniais ortodoxas. E deste modo, eu sou uma Cristã ortodoxa em paz com a minha Igreja e com as suas regras como todo e qualquer Cristão ortodoxo e, como tal, é-me permitido receber a Eucaristia na minha própria Igreja e na Igreja Católica, segundo os princípios mencionados anteriormente. Não desprezo de modo algum as regras da Igreja Católica sobre o matrimónio. Para sua informação, junto a este documento o meu certificado de matrimônio (Anexo 1).


4 embora no nosso livro da Doutrina da Igreja ortodoxa, tomo I, publicado em 1977 por Mr. Trembelas, se possa ler na pág. 79 (da versão inglesa (n.d.t.f)): "As revelações definem-se como um acto formulado por Deus pelo qual Ele Mesmo instrui as Suas criaturas racionais a respeito dos mistérios da Sua existência, da Sua natureza e da Sua vontade, segundo a sua capacidade intelectual limitada...".
5 O Papa
6 João 21,15-17
7 João 21,15-17
8 Ut unum sint 61, ref. à Carta Apostólica Orientale Lumen (2 de Maio de 1995), 24.
9 Ao mesmo tempo compreendi também: "Quanto teremos nós de sofrer antes!" O "nós" designa Jesus e o Papa João Paulo II
10 Compreendi que Cristo Se refere a todas as Suas mensagens sobre a União, que nos convidam a todos a unificar as datas da Páscoa. À falta de melhor, isso satisfaria a Sua Sede de União. Cristo prometeu que, se nós uníssemos as datas da Páscoa, Ele Mesmo faria o resto.
11 Ut unum sint, 58
12 nome simbólico de Cristo

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