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A Necessidade de Unidade

Por Arcebispo Milingo (Católico Romano)

Considero uma grande fortuna ser um de vocês hoje, na Terra Santa. Do mesmo modo, considero um grande privilégio dizer alguma coisa sobre Unidade, como pretendida pelo fundador de nossa Igreja, Jesus o Cristo. É o que chamamos de último desejo de Jesus, Sua longa oração ao Pai, em João, capítulo 17.

Nosso interesse particular é tirado de Suas palavras nos versículos de 20 a 25: "Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim: a fim de que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste..." Temos que distinguir duas unidades, cuja distinção vai contra o sentido da palavra unidade em si mesma. Quando dizemos "unidades", estamos falando de fusão. Mas penso que no ano 2000, podemos adicionar novos vocabulários. Deixe-me colocar deste modo. Quero dizer que existe uma unidade que vem de causas externas, e uma outra unidade que tem suas fundações na natureza de uma coisa ou um ser. (Vamos ainda manter a palavra unidade em mente, enquanto a transformamos em identidade, o que nos traz todos à uniformidade. Identidade como uniformidade pode facilmente ser tirada dos meus apelativos, por exemplo um africano, minha identidade tribal.)

Por exemplo, quando falamos de uma carteira de identidade, queremos dizer um papel onde minhas particularidades estão escritas, e para completá-las, minha foto tem que estar incluída nela. A unicidade de minha carteira de identidade e minha é apenas uma pequena conexão entre eu e a carteira de identidade, por convenção. Existe uma outra identidade que verdadeiramente vem do meu ser, que são meus irmãos de sangue. Somos um porque viemos do mesmo pai e da mesma mãe. Posso perder minha carteira de identidade, mas não a minha carteira de irmãos de sangue. Nós temos a mesma raiz, com padrões de características semelhantes que vieram à existência através de nossos alicerces.

Nas palavras de Jesus, como ele diz: "a fim de que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti...", Jesus está falando da natureza de Seu novo povo, cuja unidade será baseada na Unidade da Natureza Divina. A natureza portando da Igreja deve ser idêntica à natureza da Unicidade de Deus. Os primeiros cristãos entenderam este fato. At 4,32 :(...) "um só coração e uma só alma..." A identidade pública da Igreja deveria, do mesmo modo, retratar esta unidade como um sinal da missão divina de Jesus. Daí Ele continua dizendo: ..."para que o mundo creia que tu me enviaste..."

A confirmação da Missão Divina de Jesus tem dois veículos mais importantes. Outros as denominariam antes bandeiras. A primeira era que deveríamos acreditar que Ele era o Cristo, o ungido, o Messias. E que "Ele tinha palavras de vida eterna, uma mensagem de salvação". Como ele citou a Si mesmo em Lc 4,18, de Is 61, 1-2; "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor."

Todos nós aqui continuamos a fazer exatamente o que Jesus fez, pregando as boas novas. Mas há mais que isto, a outra bandeira, que deveria ser a identidade da fundação. A Igreja, onde quer que fosse, deveria ser permeada por esta unidade da natureza daqueles que eram um com Jesus, o Pai e o Espírito Santo. Aqui está como Ele coloca isto: "Quando vier o Espírito da Verdade, Ele vos guiará na verdade plena, pois não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas futuras. Ele me glorificará porque receberá do que é meu e vos anunciará. Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso vos disse: ele receberá do que é meu e vos anunciará."  (Jo 16, 13-15). Eles possuem todas as coisas em comum, em unidade.

Tudo o que Cristo fundou, pertence à Trindade. Possessividade pessoal de qualquer igreja, reivindicada como fundada na missão de Cristo, não pode ser verdadeiramente a igreja de Cristo, se exclui no seu conceito os membros de sua igreja da unidade com o resto da igreja que Jesus fundou. Para ser uma igreja válida, deve ter a mesma filosofia de unidade como aquela que estava em Cristo. Pregar o Evangelho e trazer as pessoas à unidade são do mesmo modo um mandato. Ele prossegue dizendo: "a fim de que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste...": neste versículo Jesus alude ao respeito que Ele tem por Seu Pai. Ele O enviou para unir a humanidade.

Unidade da humanidade através da presença da Igreja no mundo dá alegria ao Pai, e o Pai tinha que estar feliz com o trabalho de Jesus. Vocês podem imaginar quão frequentemente o Pai diz a Jesus: "Olhe para o trabalho de suas mãos, os membros da igreja que você estabeleceu estão todos os dias um no pescoço do outro. Estão cortando as gargantas uns dos outros. Sempre discutindo, apontando dedos uns para os outros." Estamos aqui para dar consolação a Jesus. Queremos cumprir a Sua vontade e realizar as intenções que Ele teve quando Ele estabeleceu sua Igreja, "Devemos ser um, como Jesus é um com o Pai e o Espírito Santo."

Vamos concluir com as palavras mais inspiradoras de São Paulo aos Filipenses, Fl 2, 1-4. "Portanto, pelo conforto que há em Cristo, pela consolação que há no Amor, pela comunhão no Espírito, por toda ternura e compaixão, levai à plenitude a minha alegria, pondo-vos acordes no mesmo sentimento, no mesmo amor, numa só alma, num só pensamento, nada fazendo por competição e vanglória, mas com humildade, julgando cada um os outros superiores a si mesmo, nem cuidando cada um só do que é seu, mas também do que é dos outros."

 

Arcebispo E. Milingo