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SOMOS JULGADOS POR AMOR

A justiça e o julgamento de Deus

Pe. John Abberton

 

Poderá haver uma pessoa em sã consciência no mundo que não tenha alguma ideia de justiça? Muitas pessoas falam sobre seus direitos. De onde essa noção vem? O que me faz pensar que eu tenho "direitos"? Eu não tenho apenas direitos, eu também tenho direito a justiça. As pessoas não tem só entendimento sobre justiça apenas em relação aos outros - um empregador, um concidadão, mas todos temos senso de justiça quando se trata de punir os criminosos. Tem ainda pessoas que acreditam na pena de morte. No mundo ocidental, muitas pessoas não o fazem. No entanto, todos concordam que alguma punição é necessária.

Se perguntamos para que serve a punição, poderemos dizer, antes de tudo, que é para o crimoso: para sua educação e reabilitação. Sabemos que isso não é suficiente. Quando finalmente tivermos banido todos os pensamentos de vingança; quando tivermos dominado nossa raiva e talvez, até perdoado o criminoso, ainda será preciso a punição. Por que? O que é isso que nos leva a punir outros e, em humildade, aceitamos nos castigar? Sem conhecer a resposta, pessoas instintivamente exigem justiça. Estranhamente, quando vem de Deus, muitos tem problemas com a Justiça Divina e, especialmente, com o Julgamento. Deus é Todo Misericordioso, então como Ele também pode ser um Juiz? Se Deus nos perdoou, se Jesus morreu por nós, que castigo ainda pode ter? Certamente, se fomos remidos, estamos salvos e não tem necessidade de punição. A Bíblia não diz algo assim?

Pode-se dizer que não existe civilização sem justiça. No entanto, diferentes grupos cultural e religiosos discutirão seriamente entre si sobre o que constitui a verdadeira justiça. Cristãos não concordam com a vingança. Nós não devemos castigar o outro para satisfazer nosso orgulho ou em resposta aos nossos sentimentos feridos. Mesmo sabendo que o crime deve ser punido. Existe uma norma de conduta que todos aceitamos - sem precisarmos falar sobre isso. Sabemos que nenhuma sociedade pode continuar a existir em paz sem ter alguma forma de justiça.

Para que possamos sobreviver num mundo que às vezes é cruel e agressivo, nós temos que ter alguma garantia, algum parâmetro moral e algumas leis. Leis que são quebradas precisam ser defendidas ou se tornarão inaplicáveis. A Punição pública é uma declaração sobre a lei e a sociedade. Ao ser punido o criminoso é quase como um servo. O que ele ou ela sofre é resultado da desobediência da lei reinteirando o valor moral da sociedade. Isso é, mesmo que o criminoso nem sempre saiba, um caso de sofrimento para o povo. Esse não é um sofrimento inocente mas, ao menos em princípio, também não é egoísta. Os criminosos sempre falam sobre "pagar a dívida com a sociedade". Para todo o crime deve haver alguma forma de punição.

 

Honrando a Bondade (Glorificando a Deus)

O que acontece quando um criminoso é punido é que o bem que ele ou ela tenha desafiado ou jogado de lado seja levantado. Quanto maior for o bem, nós argumentamos, mais severo deverá ser a punição. Atrás do desejo de vingança está a recusa de permitir que o "bem" que foi atacado (seja ele visto como nosso ego ou, mais genuinamente, algo como o direito a propriedade privada) seja diminuído. A vingança é um impulso primitivo que tem que fazer algo para reconhecer o valor de algo ou alguém. Se meu irmão é morto, a vingança significará duas coisas; primeiramente o reconhecimento do valor da vida de meu irmão e em segundo como uma expressão disso, e sobre minha própria perda, exigindo a recompensa da vida do seu assassino.

A vingança é normalmente associada a uma forte emoção, mas pode ser um negócio muito clínico e de sangue-frio, quase parecido com uma dívida sagrada e que é perseguida quase como um ritual religioso. No coração da vingança tem também um grande mal, especialmente onde se busca a violência. Isso leva a uma corrupção horrenda envolvendo a exaltação do ego e o desprezo da vida humana. E no final das contas a vingança não resolve nada. Sempre um ato de vingança leva a outro por causa do senso distorcido de honra. Nas sociedades onde perigosas e ecentricas visões de família e "honra" pessoal são mantidos não resta paz, mas um clima de medo e intimidação. Vingança pode começar com algum tipo de reconhecimento do bem mas termina em mais lágrimas, mais sangue e destruição da paz.

Os que argumento em favor da pena de morte são ofendidos quando são acusados de quererem vingança. Parte de seus argumentos são precisamente que quando o crime for tão hediondo (e eles trazem o exemplo de criança rapitada e assassinato) uma pena muito séria é necessária. O argumento que legalização da execução pode dissuadir é ainda proposto. Não é muito convincente; alguns dos piores criminosos da história cometeram suicídio. A teoria de que a punição tem que ser do tamanho do crime tem seu peso. Até pouco tempo a sentença de morte era uma opção permitida pelos ensinamentos Católicos Romanos (cfr. St. Tomás de Aquino). A primeira edição do Novo Catecismo foi criticado por permitir isso. O Papa João Paulo II subsequentemente falou contra a pena de morte. Isso não é a resposta. A bondade da vida não é defendida adequadamente ou honrada por sua deliberada destruição. Morte não é resposta para a morte. A morte só é conquistada pela vida, assim como a tristiza é apenas respondida pela alegria e os estragos da guerra só se curam na paz. Punição não produz frutos reais quando é tão destrutivo e muitas vezes cruel. Esse tipo de retribuição é dado em carater de desespero. A pena de morte, em qualquer lugar, levou a algo parecido com uma celebração da vida humana? A questão parece estranha, mesmo sem gosto. Eis o argumento final sobre isso. O bem não é honrado; A vida não é celebrada.

O que então do inferno? O inferno não é completamente negativo? Que bem está no inferno?

Para começar, não existe ninguém no Inferno que não quisesse estar lá. A escolha é nossa. Pelo menos o Inferno testemunha a liberdade concedida a nós por Deus - a liberdade Ele não retirará ou passará por cima. Ao mesmo tempo, podemos dizer que aqueles que estão no Inferno estão lá por causa da Santidade de Deus. Isso é como uma luz muito brilhante que é calorosa e agradável para quem são "filhos da luz", mas é cegante e dolorosa para que escolheu viver na escuridão. Aqueles que morrem na escuridão de sério pecado não pode suportar a luz da Santidade de Deus. De fato essa luz faz a escuridão parecer mais profunda já que o mal não pode cobrí-la, e até as mínimas imperfeições tem que ser queimadas. Aqueles que voam da luz, testeunham seu brilho; aqueles que descem ao Inferno testemunham a pureza dos que estão no Céu. Nesse sentido o Inferno testemunha a justiça e a misericórdia de Deus.

 

O que significa ser salvo?

Ser salvo significa ser livre e ser livre significa ter escolha. O Senhor Jesus venceu o pecado, a morte e o Inferno, mas Ele não acabou com o livre arbítrio. Pecados graves podem ser perdoados nesta vida, se nos arrependermos sinceramente, assim mesmo que nóa tenhamos feito escolhas erradas deste lado do sepulcro podemos começar novamente. É verdade que todos os pecados podem ser perdoados excetuando o pecado da recusa – o pecado contra o Espírito Santo, aquele que persiste obstinadamente em face a Verdade. Essa é a natureza desse pecado que recusa a oferta do perdão. Então somos livres, mas liberdade significa responsabilidade e ficar entre um caminho ou outro, a escolha é nossa. Isso que Cristo fez, Ele nos libertou. Contudo, não experimentaremos a verdadeira alegria da liberdade a menos que façamos as escolhas corretas. Há realmente apenas um caminho para a liberdade final e é o caminho do verdadeiro amor. O outro caminho conduz para a própria escravidão. A diferença agora, desde o triunfo pascoal de Cristo, é que nós mesmo escolhemos isso; se desejarmos, mas nós somos livres para escolher o Céu.

Escolhendo Deus, significa aceitar correção. Deus nos ama como nós somos, mas Ele não quer que fiquemos como somos. Deus quer o melhor para nós e isso significa incentivar-nos a crescer, mudar, tornar-se santo. Sempre Ele nos permite a liberdade de voltar atrás. Se dizemos "Sim" para Deus, Deus dirá "Sim" a nossa santidade. Desde que não voltemos as costas para Ele num caminho sério e constante, Ele nos fará santos. O caminho para a santidade não é fácil. Há muitos golpes duros e lições pelo trajeto. Erros são esperados mas tem também penitência, mortificação, abnegação e muita oração. Sofrimento é inevitável e precioso.

O castigo nos lembra que ainda não somos perfeitos e que a felicidade que experimentamos tão pouco é suficiente. Deus tem mais coisas maravilhosas guardadas para nós. Como C.S.Lewis nos lembra em "O Problema do Sofrimento", o que nós experimentamos como uma punição pode frequentemente ser interpretado como Deus permitindo a nós aprender tais lições. Se todas as coisas fossem sempre satisfatórias e nós nunca tivessemos problemas, nunca ficássemos insatisfeitos, podemos nos enganar pensando que encontramos uma espécie de Céu. Do mesmo modo, já que os prazeres e felicidade terrestres são, por sua natureza, finitos, limitados e finalmente insuficientes, nós ficamos entedeados e depois egoístas e depois amargos. Nós ficaríamos insatisfeitos por que nosso coração anseia por mais. Como escreveu Santo Agostinho,

"Ó Deus, Tu nos fizeste para ti, e nosso coração é incansável até descansar em Ti". Se Deus permite a dor, sofrimento, até a tragédia, isso é um aspecto de Sua misericórdia. Temos que refletir cuidadosamente. Isso só pode ser entendido pela fé.

No Caderno 17 da "A Verdadeira Vida em Deus", na mensagem dada em 13 de Out de 1987, Jesus disse:

"não vos castigo com prazer. Eu faço votos para que a Minha Criação regresse ao Amor. Peço reparações enormes. Reparai; reparem pelos outros, aqueles que podem fazê-lo. A Minha Criação deve mudar, Minha filha. A Minha Criação deverá aceitar-Me como Omnipotente. As Minhas almas sacerdotais devem compreender como estão no erro, rejeitando as Minhas Obras atuais"

O Rei da misericórdia também é o Juiz.

Nos voltemos ao Novo Testamento. Nos Evangelhos é claro que Jesus, o Filho do Homem, é tanto libertador quanto juiz. Sua própria presença leva alguns a gritar por ajuda e faz outros sentirem insegurança, ameaçados e irritados

Alguns são atraídos a Ele por que buscam misericórdia; outros O seguem nas sombras por que Ele os perturba, e eles não gostam disso. Ele é perigoso e tem que ser removido. Para alguns Ele é um curandeiro, para outros Sua própria presença é como um julgamento. Os espírito malignos reagem não sendo-lhes dito o que fazer.

"Que tens tu conosco? Vieste perder-nos? Sei quem és..."

Existem muitas passagens ligadas a misericórdia e justiça para serem mencionadas aqui. Aqui tem cinco que mostram diferentes aspectos do julgamento.

 

  1. Marcos 3, 1-6. O Homem com a Mão Seca.

    Nessa história, Jesus cura no Sábado. A cura se dá numa sinagoga. O homem com a mão seca não pediu ajuda - ao menos não abertamente. Jesus talvez tenha lido seu coração. Ele chamou o homem para avançar e pediu para que ficasse de pé no centro. Ele então pediu para que o homem estendesse sua mão. Estava curada. Esse ato de amor e misericórdia foi saudado com desaprovação pelos inimigos do Senhor. Ele olhou-os com "um olhar irado" (Bíblia de Jerusalém online) "entristecido pela dureza de seus corações".

    Aqui vemos misericórdia e julgamento. Aqueles fariseus e outros que estavam prontos para condenar Jesus por curar no Sábado tramaram contra Ele "imediatamente" - no mesmo dia, no mesmo lugar. Sua própria tentativa de julgar Jesus ricocheteou neles. Ele fez o "bem"; Ele "salvou uma vida". Eles tramaram destruir uma vida. Pensando que estavam protegendo o Sábado, eles profanaram ele, e fizeram isso sem medo por orgulho e inveja. O mal que já estava em seus corações agora está fora. O homem com a mão seca foi chamado para fora. Sua cura trouxe os oponentes do Senhor para fora. Eles tinham o coração e a alma secas. A presença de Jesus no seu meio lhes trouxe o julgamento.

  2. Marcos 11, 12-14 - Jesus amaldiçoa a Figueira.

    Esta história é dificil de entender. Os estudiosos das Escrituras sugerem que isso pode ser um ato simbólico mostrando o descontentamento do Senhor diante do estado do Templo e dos líderes religiosos em Israel. Jesus está bravo e caminha na direção da figueira que estava "coberta de folhas". Não tinha frutos na árvore, "pois não era tempo de figos”. Jesus então amaldiçoou a árvore. Isso parece injusto. Seria de se esperar que a árvore produzisse figos fora da estação? Se Jesus estava realmente bravo com alguém, porque Ele amaldiçoou a Figueira que estava fora de estação?

    Um meio de entender esta história é como uma advertência para o julgamento. O julgamento de Deus virá quando nós mesmo esperamos. Jesus falou também sobre o “ladrão na noite”. Ele alertou que o Filho do Homem viria quando Ele seria “menos esperado”. Não há estação para frutos até para Israel, para a Igreja, para a humanidade ou para cada pessoa. Quando Cristo vir, Ele esperará que estejemos prontos. Se, no final, não tivermos fruto não existirá mais fruto. Isso é “alerta”. A moral do texto é essa; Se o Senhor pode amaldiçoar uma figueira fora da estação o que acontecerá conosco se não produzirmos “fruto”. Para nós, assim como para Israel, não existe “estação”.

  3. João 9,1-41 Curando o Cego.

    Esta história maravilhosa contem muitos ensinamentos importantes sobre a misericórdia e o julgamento. Primeiro de todos, na resposta da questão aos Seus discípulos sobre a razão da cegueira do homem, Jesus respondeu: “Nem ele, nem seus pais pecaram, mas é uma ocasião para que se manifestem nele as obras de Deus”. Deficientes, deformidade de nascimento, etc tem um propósito. Deus pode e trabalhará através dessas aflições para o bem de outros; para a salvação das almas. Para os Cristãos, ninguém, não importa quão fraco, aflito ou deformado pode ser tratado como um “inútil” ou ser considerado como um fardo para a sociedade. Isso não é irrelevante para nossa reflexão sobre a misericórdia. Nesses casos a misericórdia vem através da dor e mostra-se naqueles que pedem misericórdia para nós. Ao mesmo tempo, essas pessoas trazem o julgamento (como veremos).

    Na cura do cego, Jesus desafia os “Fariseus” que, sem poder negar a cura continuam acusando o homem curado de ser um pecado. Eles se consideram melhores do que ele e, em seu orgulho, fazem o incrédulo erro de ignorar a verdade na frente de seus olhos; que um cego que não podia ver desde o nascimento pudesse ver agora, fisicamente, tão bem quanto eles. Jesus fala sobre a verdadeira cegueira e da falsa cegueira. Ele falou, “Eu vim a este mundo para um julgamento, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos”. Os Fariseus perguntaram se Ele estava falando que eles eram cegos. A resposta é sim por que, como Ele falou: “Se fôsseis cegos não teríeis culpa; mas como dizeis: ‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece” (Bíblia de Jerusalém Online)

    O cego pensava que tinha cegueira por causa do pecado. De fato os oponentes do Senhor quem estavam em pecado por causa de sua recusa em ver a verdade. Julgamento e misericórdia se encontram. Quem se recusou a mostrar misericórdia provou quão desprezível isso é.

  4. João 12, 44-48 “não sou eu que o julgo”

    Nesta passagem tirada do Evangelho de São João, Jesus diz: "Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. Se alguém ouve as minhas palavras e não as observa, não sou eu que o julgo, porque vim não para julgar o mundo, mas para salvá-lo. Quem me rejeita e não acolhe as minhas palavras já tem quem o julgue: a palavra que eu falei o julgará no último dia".

    Aqui Jesus parece contradizer as palavras que falou na cura do cego (“Eu vim a este mundo para um julgamento"). De fato, Jesus ainda não julga o mundo como será no final. Ele alerta do julgamento, Ele denuncia o orgulho e a hipocrisia de alguns líderes Judeus, Ele expulsou espíritos malignos e amaldiçoou a figueira. Jesus falou da Vontade do Pai que nenhum deveria ser perdido e depois, na Sua oração antes da Paixão falou para o Pai a respeito dos Seus discípulos, "nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição" (Judas). "da Perdição" aqui tem um sentido de consequência de sua livre escolha. O julgamento acontece por causa da presença do Senhor; Ele é luz e o mal não pode se esconder. Ao mesmo tempo já foi dito o suficiente para nos deixar conscientes de que haverá um julgamento mais direto. Jesus não é um espectador; o julgamento chega com Ele e por causa Dele. Talvez Ele tenha apenas que olhar para nós com um olhar penetrante como vemos nos ícones de Jesus Pantocrator. Aquele olhar abre a consciência e palavras que ele fala ressoa em nossa alma.

  5. Mateus 25, 31-46. O Julgamento Final

    Nessa bem conhecida descrição do Julgamento Final, Jesus, "O Filho do Homem" é o juiz. Ele separará as "ovelhas" dos "cabritos". Os cabritos não eram considerados maus ou inúteis, mas em algum momento o pastor tinha que reunir as ovelhas. As ovelhas aqui representam o povo de Deus. A misericórdia Divina é mostrado de forma singular; Cristo identifica-Se com aqueles mais necessitados. Aqueles que clamam nossa misericórdia representam Ele. A recusa em mostrar misericórdia é assumido pessoalmente por Ele. Esse julgamento faz sentido. Ninguém pode reclamar disso.

    O que acontecerá quando nós vermos a face de Cristo e reconhecer aqueles que nós ignoramos, passamos, tratamos com desprezo ou ajudamos (no modo como São Tiago descreve)? Antes de Cristo falar qualquer coisa nós saberemos onde pertencemos. A parábola falada por Ele distingue ovelhas de cabritos, mas os cabritos saberão quem eles são e serão reconhecíveis. Não haverá resistência; eles saberão onde ir.

    O pronunciamento final é a confirmação do que nós já estamos sabendo.

    Numa fala sobre essa cena, o Papa João Paulo II (em "Cruzando o Limiar da Esperança") diz, referindo-se aos "cabritos" ou perdidos; "Aqui não é Deus quem rejeita o homem, mas o homem que rejeita Deus" (pág. 73. A frase está em itálico no texto original). O que é tão claro neste texto é que O Julgamento já está acontecendo, aqui e agora. Se eu sei isso, não preciso ter uma visão da Sagrada Face para saber quem está batendo na minha porta e pedindo comida. Do mesmo modo existem outros tipos de pobreza. Eu mesmo sou pobre. O escritor Ortodoxo, Arquimandrita Vasilios Bakogiannis ( no "pós morte") bateu bem nessa tecla quando ele escreveu sobre os deveres que temos que cuidar para nossa própria alma. Como estão nos preocupamos por nós mesmos? E quanto ao egoísta (seja rico ou não), preguiçoso, o indulgente consigo mesmo e o violento? Eles também são "pobres" e precisam de "roupas", etc. Eles estão numa espécie de prisão e são tanto quanto necessitados de ajuda como qualquer outro também. Em suma, qualquer um que tenha clamado nossa misericórdia, especialmente - nós somos alertados também - aqueles que pecaram contra nós.

    Nós nunca podemos esquecer a santidade de Deus. Nós recebemos Seu convite para intimidade com Ele, mas nós nunca podemos esquecer que Ele é Deus. Há um aspecto impressionante que é descrito pelo filósofo Rudolph Otto ( no tratado "The Idea of the Holy") como um mysterium tremendum et fascinans. O latim não precisa de tradução. Algo desse magnético temor foi capturado por C.S.Lewis nas suas "Crônicas de Narnia", onde a figura de Cristo é um leão, Aslan. Quando as crianças na história vêem pela primeira vez o Leão, eles descobrem que alguma coisa pode ser "boa e aterrorizante ao mesmo tempo... pois, quando tentaram olhar para Aslam de frente, só conseguiram ver de relance a juba de ouro e uns grandes olhos, régios, soleníssimos, esmagadores. Depois, já não tiveram forças para olhar e começaram a tremer como varas verdes." ("O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa" Capítulo 12) Tão feroz quanto um leão parece, eles eram atraídos por Seu encanto. Depois quando Lucia encontra com Aslan em pessoa depois de algum tempo ela falou: "Você está maior" ao que ele responde, "Você cresceu". Deus é sempre "maior".

    A santidade de Deus é purificadora mas para aquele que escolhe o caminho para o Inferno é a própria fúria. Deus é Amor e nunca para de nos amar, mas aqueles que rejeitam a Deus descobrirão que Seu amor é insuportável.

Julgamento e mundo doente

Vivemos num planeta lindo, num universo magnífico. Fotografias tiradas por telescópios extremamente potentes ou enviadas a terra por diferentes tipos de espaçonaves tem nos maravilhado e consolado. Mas tem também fotos da terra mostrando furacões e outros distúrbios naturais violentos. Na terra temos instrumentos que podem prever tremores de terra, e cientistas podem apontar vulcões e geisers e nos alertar sobre o que acontecerá no futuro. Neste século XXI muitos de nós estão falando sobre os estranhos padrões do tempo. Muitos dizem que essas coisas são resultado do aquecimento global.

Sempre tiveram tempestades, terremotos, erupções vulcânicas e pragas. Desde a Queda e dos efeitos do Pecado Original sobre a natureza, a humanidade lutou com forças além do seu controle. Deus permitiu-nos sofrer as consequências do pecado, mesmo em relação ao clima. Parece haver uma relação entre os distúrbios da natureza e a tendência ao pecado dos habitantes da Terra. Podemos entender como a ganância, expressa em desmatamento, poluição, excesso de cultivo, diminuição dos estoques de peixe e brutal interferência nos sistemas naturais tem causado sérios problemas que muitas vezes ameaçam a própria vida humana. Podemos também fazer perguntas sobres os efeitos dos testes atômicos em diferentes partes do mundo, incluindo no Oceano Pacífico. Essas coisas podem ser facilmente atribuídas à fragilidade humana. O mistério do pecado não é facilmente descrito. Todavia notamos que há algo profundamente errado com a terra e o universo e suspeitamos que isso tem alguma coisa a haver conosco. De várias maneiras profecias de desastres nos lembram nossa comum humanidade e nossa responsabilidade para com a Terra. Quando e se notamos Deus nos avisando isso é primeiramente um ato de misericórdia. Um aviso é um aviso, não uma condenação.

No Caderno 17, na mensagem dada em 26 de Outubro de 1987, Jesus falou:

"Por Minha Misericórdia Infinita, Eu desço à terra para vos advertir. Eu sou o Espírito de Verdade que fala; ouvi aquilo que tenho a dizer às Minhas Igrejas. Criação, não fiqueis inertes, transmiti o Meu Aviso. Eu estou à vossa porta e bato..."

Nós temos livre arbítrio; podemos responder ao chamado de arrependimento ou não. Nós temos os pobres. Nós podemos tentar ajudá-los ou não. Governos e empresas ricas possuem enormes recursos. Eles podem cancelar a dívidas ou não, ajudar o cultivo em áreas desérticas ou não, trabalhar para paz e justiça ou não.

Jesus Cristo não curou o mundo todo, mas Ele mostrou que tal cura é possível e planejada. Ele acalmou a tempestade, recolheu uma pesca incomum das redes de seus discípulos pescadores, multiplicou pão e peixe para multidões e ressuscitou os mortos. Quando Ele morreu houve um terremoto. Desde Sua Ascensão e a vinda do Espírito Santo o mundo pareceu se comportar de maneira incomuns. As vezes essas ocorrências são parecidas com fenômenos místicos, visto por apenas poucos, mesmo que haja numerosa em milhares (como Fátima em 1917). São eventos reais que desafiam a explicação (como estranhas luzes no espaço sobre a Europa antes da Segunda Guerra Mundial - um evento profetizado pela Virgem Maria).

O mundo não está mais sob o controle do diabo, mas ele pode ser danificado pelo pecado e muito depende de nossa resposta para a graça. Se nós rejeitamos Deus, nós permitimos que o demônio volte, mesmo que temporariamente, mas uma vez de volta o maligno não é fácil desalojá-lo. A ciência da libertação baseia-se firmemente na fé. O exorcismo Cristão em todos os lugares exalta a Cruz e proclama a Palavra. O Demônio FOI derrotado. Não podemos dizer isso suficiente, mas o triunfo deve ser visto na vida dos Cristãos e os portões do Inferno tem que ser bloqueado e lacrado. Um dia isso virá - talvez mais cedo do que pensamos. Quando experimentarmos a grande alegria da união dos Cristãos, São Miguel avançará sobre os portões com uma grande cadeia.

Julgados pelo Amor

Citando o Evangelho de Mateus sobre a vinda “Gloriosa” do Filho do Homem, o Arquimandrita Vasilios lembra-nos que a glória de Cristo é Sua bondade amorosa. A incorporação disso é a Cruz. No Evangelho de João fala da glorificação de Cristo nos termos de Sua paixão, morte, ressurreição e ascensão mas de um modo especial, Sua Glória é Sua morte. O momento do triunfo é o grito final antes de entregar Seu Espírito.

Esse é o triunfo do amor; do Amor. Uma vez que isso aconteceu tudo o que segue será dado. No filme, “A Paixão de Cristo” o momento da morte de Cristo foi brilhantemente representado como a derrota do mal. O demônio é mostrado só numa terra desolada gritando em desespero.

O triunfo da Cruz é o triunfo do amor. É por isso que a Cruz é mostrada para nós tanto no seu horror quanto no seu esplendor. Nós olharemos aquele que transpassamos – que nossos pecados transpassaram. Nós veremos o que viram no Calvário há 2000 anos atrás e veremos a face imensamente bonita de quem morreu por nós. Esse é o mais terrível julgamento que podemos criar para nós mesmos porque essa é a Verdade, essa absoluta Verdade sobre nós mesmos em relação a Deus.

Quando o filme, “Paixão de Cristo” foi lançado, Eu tenho certeza, muitos se questionaram de como a representação gráfica dos sofrimentos de Cristo poderia afetar as pessoas. Nós sabemos agora que alguns saíram do filme em lágrimas, outros testemunham que sua vida mudou. Qual será o impacto com a realidade? O Segundo Pentecostes é envolto em um vislumbre de puro horror? Almas Místicas (incluindo Vassula) viram alguma coisa disso. Padre Pio viu a crucificação quando ele celebrava a Missa. Não seria de admirar que ele possuísse as marcas em sua carne ungida? É isso. Esse é o julgamento, e os Cristãos precisam se aproximar da Cruz. No início das mensagens de A Verdadeira Vida em Deus, Jesus pediu a Vassula ( e a nós) para fazer a Via Sacra. A menos que meditemos na Paixão, na Paixão real, como poderemos ter alguma esperança de entender alguma coisa sobre o amor de Deus por nós? Para os Cristãos, a santidade não é possível sem a Cruz.

(Veja a Mensagem de 12 de Nov, 1987)

O Papa João Paulo II disse: (em "Cruzando o Limiar da Esperança"), "Antes de tudo, é o Amor que julga. Deus, que é Amor, julga através do amor. É o Amor que exige a purificação, antes do homem ficar pronto para essa união com Deus o que é sua derradeira vocação e destino" (pág. 187).

Se ao menos pudéssemos ver o Céu, muito ficaria claro. São Paulo, que teve um experiência mística no Céu, nos falou que não tem comparação entre o que sofremos aqui e agora com as alegrias que nos esperam. Por que temos medo de dizer isso? O que poderia ser mais consolador? Muito poucos pregadores falam sobre o Céu nos funerais. Quando temos o Paraíso a frente, encontramos mais força para rezar e amar e sofrer. O que Deus tem guardado para nós é além da maior imaginação poética. Não pode ser retratado na música, na pintura ou na prosa. O melhor que podemos fazer é silenciar enfrente a um maravilhoso mistério. Nossas liturgias devem ser lindas, musicais e repleta de símbolos, sinais, cor e luz. Mas nós também precisamos silenciar pois tem algum lugar, algumas coisas que não podemos atingir. Eles nos levam a um limiar. Além dele é inefável, impensável, inimaginável alegria do Paraíso. Nós podemos apenas conhecer alguma coisa sobre isso, que é uma espécie de adrenalina que entra no coração. É um chamado interior, um tênue eco de um insistente chamado do Pai, "Vem, meu filho, vem para mim"

"Tenho Sede!"

O Senhor Jesus quer que vamos para o Céu. Ele nos quer santos. Ele quer compartilhar Sua vida conosco. É como Ele falou "tenho sede" de nós. Tudo é amor, mas esse amor é muito mais do que poderemos colocar em palavras, pinturas ou músicas.

No Caderno 18, 13 de Nov, 1987, Jesus deu esta oração a Vassula:

"Pai Justo, Meu Refúgio,
derramai a Vossa Luz e a Vossa Verdade,
que Elas sejam as Minhas Guias
para conduzir-me à Vossa Santa Morada, onde viveis.
Eu, por meu lado, amo-Vos plenamente,
manterei o meu voto de cumprir a Vossa Palavra.
Pai Santo, reconheço os meus erros e pecados;
tende compaixão de mim,
na Vossa Bondade e na Vossa Grande Ternura;
perdoai os meus pecados,
purificai-me, Senhor;
sede o meu Salvador, renovai-me;
conservai o meu espírito fiel e generoso,
cheio de boa vontade.
Ofereço-Vos a minha vontade, abandonando-me,
aceito ser a Vossa paleta,
louvo o Vosso Santo Nome e agradeço-Vos
todas as graças e a Paz que me tendes dado.
Amém."

 Vassula respondeu nestas palavras:

"Agradeço-Vos que me guieis passo a passo. Vós sois o Meu Santo Mestre, que me ensina com amor e paciência, que me guia e guia também outros a conhecer-Vos melhor, a conhecer o Amor Infinito que Vós sois, que jamais nos abandona e estais sempre disposto a procurar-nos, a nós que estamos perdidos, e a reconduzir-nos a Vós. Jamais eu senti a mínima aspereza em Vós, nem impaciência: só me tenho sentido amada. Vós tendes dado Amor e Paz à minha alma. É assim que Vós sois. Nunca Vos deixarei, Senhor"

Vamos rezar para que possamos responder ao Amor de Deus com gratidão, fidelidade e abandono. Que Ele sempre seja amado, honrado e obedecido e que possa a Luz de Cristo brilhar em nosso coração e na Igreja que vem. Amém.

 


 

Bibliografia.

Trabalhos Citados:

A BÍBLIA SAGRADA - New Revised Standard Version (NRSV)

"After Death." Archimandrite Vasilios Bakogiannis. Tertios Publications 2001

"Cruzando o Limiar da Esperança." Papa João Paulo II

"A Ideia da Santidade." Rudolph Otto

"O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa" C.S. Lewis

 

 

O que acontece quando um criminoso é punido é que o bem que ele ou ela tenha desafiado ou jogado de lado seja levantado. Quanto maior for o bem, nós argumentamos, mais severo deverá ser a punição. Atrás do desejo de vingança está a recusa de permitir que o "bem" que foi atacado (seja ele visto  como nosso ego ou, mais genuinamente, algo como o direito a propriedade privada) seja diminuído. A vingança é um impulso primitivo que tem que  fazer algo para reconhecer o valor de algo ou alguém. Se meu irmão é morto, a vingança significará duas coisas; primeiramente o reconhecimento do valor da vida de meu irmão e em segundo como uma expressão disso, e sobre minha própria perda, exigindo a recompensa da vida do seu assassino.

A vingança é normalmente associada a uma forte emoção, mas pode ser um negócio muito clínico e de sangue-frio, quase parecido com uma dívida sagrada e que é perseguida quase como um ritual religioso. No coração da vingança tem também um grande mal, especialmente onde se busca a violência. Isso leva a uma corrupção horrenda envolvendo a exaltação do ego e o desprezo da vida humana. E no final das contas a vingança não resolve nada. Sempre um ato de vingança leva a outro por causa do senso distorcido de honra. Nas sociedades onde perigosas e ecentricas visões de família e "honra" pessoal são mantidos não resta paz, mas um clima de medo e intimidação. Vingança pode começar com algum tipo de reconhecimento do bem mas termina em mais lágrimas, mais sangue e destruição da paz.

Os que argumento em favor da pena de morte são ofendidos quando são acusados de quererem vingança. Parte de seus argumentos são precisamente que quando o crime for tão hediondo (e eles trazem o exemplo de criança rapitada e assassinato) uma pena muito séria é necessária. O argumento que legalização da execução pode dissuadir é ainda proposto. Não é muito convincente; alguns dos piores criminosos da história cometeram suicídio. A teoria de que a punição tem que ser do tamanho do crime tem seu peso. Até pouco tempo a sentença de morte era uma opção permitida pelos ensinamentos Católicos Romanos (cfr. St. Tomás de Aquino). A primeira edição do Novo Catecismo foi criticado por permitir isso. O Papa João Paulo II subsequentemente falou contra a pena de morte. Isso não é a resposta. A bondade da vida não é defendida adequadamente ou honrada por sua deliberada destruição. Morte não é resposta para a morte. A morte só é conquistada pela vida, assim como a tristiza é apenas respondida pela alegria e os estragos da guerra só se curam na paz. Punição não produz frutos reais quando é tão destrutivo e muitas vezes cruel. Esse tipo de retribuição é dado em carater de desespero. A pena de morte, em qualquer lugar, levou a algo parecido com uma celebração da vida humana? A questão parece estranha, mesmo sem gosto. Eis o argumento final sobre isso. O bem não é honrado; A vida não é celebrada.

O que então do inferno? O inferno não é completamente negativo? Que bem está no inferno?

Para começar, não existe ninguém no Inferno que não quisesse estar lá. A escolha é nossa. Pelo menos o Inferno testemunha a liberdade concedida a nós por Deus - a liberdade Ele não retirará ou passará por cima. Ao mesmo tempo, podemos dizer que aqueles que estão no Inferno estão lá por causa da Santidade de Deus. Isso é como uma luz muito brilhante que é calorosa e agradável para quem são "filhos da luz", mas é cegante e dolorosa para que escolheu viver na escuridão. Aqueles que morrem na escuridão de sério pecado não pode suportar a luz da Santidade de Deus. De fato essa luz faz a escuridão parecer mais profunda já que o mal não pode cobrí-la, e até as mínimas imperfeições tem que ser queimadas. Aqueles que voam da luz, testeunham seu brilho; aqueles que descem ao Inferno testemunham a pureza dos que estão no Céu. Nesse sentido o Inferno testemunha a justiça e a misericórdia de Deus.