(do livro "Que Dizes de Ti Mesma?" - Ed. Boa Nova, 1995)
VASSULA:
Ele serve-Se
de mim apenas como um instrumento... eu era uma daquelas pessoas que
não
rezavam, que não iam à igreja e não
praticavam. Se Ele escolheu alguém como eu,
quanto mais não escolherá alguém que
Lhe seja fiel...
O que o Senhor
Jesus me diz a mim, não é somente a mim
que Ele o diz; Ele di-lo a vós, pessoalmente. Não
é algo de especial para mim.
Ele serve-Se de mim apenas como um instrumento. Por isso, o Senhor
não faz
diferença entre vós e eu, é exatamente
a mesma coisa. Devemos penetrar verdadeiramente
nas Mensagens e virarmo-nos para Cristo. O Senhor veio até
mim, sem mérito
algum, porque eu era uma daquelas pessoas que não rezavam,
não iam à Igreja e
não praticavam. O Senhor, pois, escolheu alguém
que não conhecia nada, para
mostrar a Sua Misericórdia; e se Ele escolheu
alguém como eu, quanto mais Ele
não escolherá alguém que Lhe seja
fiel. É, pois,
pela Sua
Misericórdia, que Ele nos vem falar.
Eu não
escolhi esta missão. Eu tão pouco sabia que Deus
poderia falar com carismas especiais. Neste momento, há nove
anos e meio que o
Senhor fala comigo; e não apenas o Senhor, mas
também Nossa Senhora.
Abandonai-vos
inteiramente ao Senhor
Esta
Mensagem é um apelo, um apelo a que mudemos as nossas vidas,
a fim de que
vivamos numa vida de santidade. O Senhor desejaria que nós
vivêssemos
verdadeiramente os Seus Santos Sacramentos, com fidelidade, e que
imitássemos
Jesus. Devemos esquecer-nos, apagar-nos a nós
próprios, para que o Espírito
Santo respire em nós e nos guie. O Senhor diz: É preciso morrer
para si próprio,
apagar-se, aniquilar-se completamente, a fim de que o
Espírito Santo possa agir
em
nós. Ele
diz muitas vezes, nas Mensagens: “Baixai
as vossas vozes, para que possais ouvir a Minha; inclinai as vossas cabeças, para que possais
ver a Minha Cabeça. Baixai-vos
completamente,
para que Eu possa erguer-vos”.
Isto quer dizer
que é preciso
abandonarmo-nos inteiramente ao Senhor e que nada nos prenda a esta
terra. Não
devemos apegar-nos às coisas desta terra, às
coisas materiais; mas devemos erguer
os olhos para o Céu e procurar as coisas celestes, porque o
mesmo Senhor diz: “Vivei
como se este fosse
o vosso último dia na terra; na verdade quem é
que vos diz que amanhã
estais ainda aqui, vivos?” Há
muitos que se
pretendem embelezar, mas o Senhor ficará bem mais contente
se melhorardes a
vossa alma, se embelezardes a vossa alma.
Este é,
pois, justamente, e desde o início, a largos
traços, o plano da Mensagem, assim como as mensagens da
União, porque a União,
agora, é muito urgente. Antes que me esqueça,
gostaria de vos pedir uma coisa:
No dia 29, O Santo Padre irá encontrar-se com o nosso
patriarca Bartolomeu I; e
eu peço a muitos países, a muitas pessoas, que,
nos três dias 27, 28 e 29,
quando rezem o Terço, o façam dizendo que o
oferecem pelas intenções do Santo
Padre, porque o Santo Padre está muito empenhado neste
encontro ecumênico; ele
sabe que é muito importante para a futura União:
deste encontro depende muita
coisa relacionada com a próxima Unido. O Santo Padre sabe
que há muitos grupos
de oração que vão rezar, nestes
três dias, por estas suas intenções. E
ele está
muito contente com isso. Por conseguinte, eu peço-vos, hoje,
que vos sirvais
destes três dias 27, 28 e 29 para rezar pelas
intenções do Santo Padre. Não o
esqueçais.
Para mim, tudo
isto era
novo...
Quero agora
contar-vos um pouquinho de como me aconteceu
receber esta revelação. Eu não era uma
mulher praticante, nem tão pouco a minha
família. E, de repente, em 1985, nos fins do mês
de novembro, tive a revelação
do meu Anjo da Guarda. Habitava em Bangladesh, nessa altura. Quando
tive a
revelação do meu Anjo, eu fiquei espantada,
porque, tal como já vo-lo disse, eu
andava muito afastada de Deus. E, no entanto, era Ele. Eu fiquei
tão contente,
que dizia: eu sou a mulher mais felizarda do mundo.
No meu estado de
ignorância, eu não sabia sequer que
Deus, na história da Igreja, tinha já falado a
várias pessoas, tinha feito
revelações. Para mim, pois, tudo isto era novo. E
foi assim que o meu Anjo me
falou. Um dia, Ele próprio me diz:
- Gostaria
que lêsses a Sagrada Escritura.
Ora eu, nessa
altura, não tinha nenhuma, em casa. E
ele disse-me:
- Eu sei, mas vai procurar
uma.
Então,
eu disse-lhe:
- Mas
onde? Aqui, em Bangladesh, não há
hipótese de
encontrar uma Bíblia.
Ele
disse-me,
então:
- Vai à
escola americana
e encontrarás lá uma Bíblia.
Então,
eu fui, encontrei uma Bíblia e voltei, com a
Bíblia, para minha casa. E ele disse-me:
-Lê!
E eu abri
precisamente nos Salmos. Li em inglês, porque
eu conheço muito bem o inglês e não
compreendi nada, absolutamente nada. Para
mim, isso foi um sinal de Deus, que desejava dizer-me: Tu és
uma cega, cega
espiritualmente; e, vivendo nas trevas, tu não vês
nada.
Foi assim que o
meu Anjo
me preparou para me encontrar com o Senhor...
E foi assim que o
meu Anjo da Guarda me sujeitou a uma
especial purificação. Mostrou-me os pecados que
havia cometido e eu vi-os com
os olhos de Deus, não com os meus. E, quando eu os vi, foi
horrível; não é como
nós os vemos, porque nós vemo-los, por assim
dizer, do exterior. Se vós os
virdes do interior é tudo muito diferente. As coisas que
vós pensais que são
muito pequeninas são imensas e terríveis, diante
dos olhos de Deus; e muito
ofensivas. E, neste momento (porque foi uma
graça, essa purificação) eu
compreendi
como tinha ofendido a Deus e quanto O havia entristecido. E detestei-me
a mim
própria, porque eu era horrível. Sabei que,
quando a luz de Deus, pura, está
diante de vós e vós vedes a vós
mesmos, vós comparais-vos e vós vedes a
diferença entre essa luz pura e vós,
tão maus. E foi assim que eu me arrependi,
do fundo do coração, porque senti a minha alma
tão, tão horrível. Foi assim que
o meu Anjo me preparou para encontrar-me com o Senhor.
O mais terno pai
que
possais imaginar
Foi o Pai, o Pai
Eterno, que falou comigo, em primeiro
lugar. A surpresa que eu tive deve-se ao facto de que, como tantas
outras
pessoas, eu fazia de Deus um Deus muito severo. Entretanto, quando eu
ouvi a
Sua Voz, fiquei surpreendida com a Sua gentileza, com o tom paterno que
Ele tinha;
e, por detrás de tudo isso (porque de facto
Ele tinha um tom paterno, uma
gentileza), por detrás de tudo isso, eu sentia o
Seu Imenso Amor; a Sua
Gentileza: era como um rio que vinha ao meu encontro. Foi esta a minha
surpresa. E a minha alma sentiu imediatamente que eu Lhe pertencia.
Aquilo,
pois, que eu vos desejaria dizer a todos vós é
que Deus-Pai...Eu não posso
descrevê-lo com palavras normais, mas Ele é
inteiramente, totalmente paterno, o
mais terno pai que possais imaginar. E, imediatamente, a minha alma
aproximou-se d’Ele, porque senti esse calor do Pai. E, em vez
de Lhe dizer:
“Sim, Senhor”, eu respondi-Lhe, em inglês
(porque Eu falava com Ele em
inglês) “yes Dad! “.
E, logo a seguir, pensei: mas que irá Ele agora
dizer? Porque a verdade é que eu O senti como um papai e Ele
me fez sentir a
mim como uma criancinha. Mas Ele disse-me:
- Não
tenhas medo, Minha filha. Eu tomo essa palavra
Papai, na Minha Mão, como uma jóia.
Ele gosta que nos
aproximemos d’Ele como criancinhas e
que Lhe chamemos Abba-Papai.
Rezai-Lhe como a
um Deus
vivo...
Ele pediu-me imediatamente que
rezasse o Pai Nosso. Eu
lembrava-me do Pai Nosso, ainda dos dias da minha infância, da escola, e
disse-Lhe o
Pai Nosso. Mas, depois de o ter ouvido, no fim, Ele disse:
- Não
está bem, Vassula;
volta a dizê-lo; disseste-o muito depressa.
E eu voltei a
dizê-lo. Mas, no fim, Ele voltou a
dizer-me:
- Não está bem, Vassula,
porque
tu estavas a mexer-te. Torna
a
dizê-lo.
E eu voltei ainda
a dizê-lo uma vez mais. E, no fim, Ele
diz-me:
- Não
está bem, Vassula, não estavas concentrada.
Torna a dizê-lo.
E eu voltei a
dizê-lo. E Ele disse-me:
- Não
está bem, Vassula.
Eram as nove horas
da manhã. E esteve comigo todo o dia, fazendo-me
repetir o Pai Nosso, vezes sem conta, até às dez
horas da noite. E eu dizia
comigo: Mas porque me obrigará Ele a fazer isto, todos estes
“Pai Nosso”, “Pai Nosso”,
porquê? Será por eu os não ter dito em
todos estes anos e agora Ele querer
recuperar todos esses Pai Nossos, apenas num dia? Eu não
compreendia.
Mas compreendi-o,
no fim. Estando Deus Pai comigo durante
um dia inteiro, no fim do dia, eu sentia-me muito mais
próxima d’Ele, como se já
O conhecesse. E, então, ao dizer o Pai Nosso, eu dizia-Lho
com o coração,
porque desejava agradar-Lhe, queria deixá-Lo contente. E Ele
estava contente.
No fim, Ele disse-me:
- Está
bem. É
assim que Eu quero que tu
rezes.
Quando, pois,
nós rezamos o Pai Nosso, não devemos
fazê-lo apressadamente, brr... assim. Devemos
rezá-lo, sabendo que Ele está
aqui mesmo, diante de vós, e que Ele tem ouvidos, pode
ouvir-vos, que Ele tem
um Coração e que esse
coração pode ser tocado. Por conseguinte,
é um Deus vivo
e não longínquo: Ele está aqui e, a
partir do momento em que abris a boca para
O chamar, para Lhe rezar o Pai Nosso, os Seus ouvidos estão
colados aos vossos
lábios, porque Ele quer ouvir a vossa
oração. Portanto, quando Lhe rezardes, rezai-Lhe como a um Deus vivo e
não
como a um Deus longínquo, como a um Deus abstracto. Vede,
pois, como Deus Pai
me deu a primeira lição: como
rezar.
Não me falou de missões, nem que iria dar-me
mensagens, nem nada. Quis apenas
ensinar-me a rezar.
A coisa mais
importante,
para Deus...
Seguidamente,
disse-me:
Gostaria que Me
amasses e que Me amasses mais; e, para Me
amares, terás que te aproximar de Mim; não deves
estar longe de Mim. E, para te
aproximares de Mim, deverás tornar-te íntima
Comigo.
A coisa mais
importante, para Deus, é que vos tomeis
íntimos com Ele, porque vós sois todos Seus
filhos. Conhecereis vós algum filho
que esteja muito afastado do pai e que tenha medo do pai? Ele
é íntimo com o
pai. Connosco, acontece a mesma coisa, porque somos a Sua
descendência, a Sua
semente. E Ele é nosso Pai; portanto, temos que nos tornar
íntimos com Ele. Sem
nos tornarmos íntimos com Ele, jamais poderemos
amá-Lo. Então, Deus disse-me:
- Eu
gostaria que tu te tornasses, que vós vos
tornásseis
íntimos Comigo. E, no entanto, jamais se deverá
esquecer que Eu sou Santo.
Estas duas coisas
juntas: a intimidade e, depois, o
respeito, a honra e o temor de Deus. O temor de Deus não
quer dizer ter medo de
Deus; é honrá-Lo, louvar Deus: isto é
que é o temor de Deus. E Deus diz:
- Não
deveis ter medo de Mim; tende medo, apenas se vos
revoltardes contra Mim.
Um Hino de Amor...
uma
Carta de Amor...
Porquê
esta Mensagem? Eis as Suas palavras:
- A Minha Mensagem
é uma Mensagem de Amor.
Deus-Pai chama a
esta Sua Mensagem um Hino de Amor, para
todos vós. Ele chama-lhe a Sua Carta de Amor, que Ele Mesmo
nos envia a todos,
para nos revelar o Seu Amor. E Ele diz que todo o mundo tem uma grande
necessidade deste Seu Apelo. Ele diz que a nossa espiritualidade
está atrofiada
e que nós temos necessidade deste alimento espiritual. Por
isso Deus-Pai (porque Ele é Pai)
sabe do que Seus
filhos têm necessidade; e por isso também Ele nos
alimenta espiritualmente,
mesmo através destas Suas Mensagens. E estas Suas Mensagens
levam-nos a ler
também as Suas Palavras. O Senhor diz:
- Esta Mensagem
é um
apelo aos vossos verdadeiros fundamentos. É uma
lembrança da Minha Palavra e da
Minha Existência. Diz-lhes que esta Mensagem lhes
não é dada para fazer
sensação, mas para lhes fazer compreender a
urgência, a gravidade e a
importância do Meu Apelo. A urgência da sua
conversão (porque, sem a
conversão,
nós não poderemos unir-nos, não
poderemos amar, nós não poderemos cumprir o
maior de todos os mandamentos); a
gravidade da condição da sua alma; a
importância de
mudar a sua vida e de viver santamente. A importância das
Minhas Mensagens que
são um alimento espiritual.
Se Deus nos fala
hoje com uma tal força, é porque Ele nos
quer advertir do perigo, porque, sem a conversão,
nós estamos realmente em perigo.
Várias
vezes Ele nos diz:
- Vinde e fazei as
pazes
Comigo. Reconciliai-vos. Amai -vo uns aos outros. Vivei uma vida
eucarística.
Confessai -vos Arrependei-vos. Rezai sem cessar, com todo o vosso
coração. Lede
mais a Minha Palavra.
O Sagrado
Coração...
Gostaria de vos
falar do Sagrado Coração. A primeira vez
que o Sagrado Coração me falou fez-me uma
pergunta. Disse-me:
- O que
é que é mais importante?
A tua casa ou a Minha?
Então,
eu disse-Lhe:
- A
Vossa.
E
então, Ele disse-me:
- Reaviva a Minha
Casa;
embeleza a Minha Casa; une a Minha Casa.
E
então, eu disse-Lhe:
- Mas
como, Senhor? Eu nem sequer aprendi nunca o
Catecismo; como poderei eu, então,fazer todas essas coisas
que Vós me mandais?
Eu não sei nada.
E Ele disse-me:
- Permanece nada;
e, na
tua nulidade, Eu poderei ser o Todo-Poderoso e o Tudo. Eu poderei
mostrar a
Minha Autoridade. Morre para ti mesma e deixa que o Meu
Espírito respire em ti. Eu não
quero rivais, em ti. Deixa-Me, pois,
trabalhar na tua alma.
Então,
Ele disse-me:
- Eu quero
formar-te, se
tu Me o permitires... porque
o Senhor Jesus pede sempre a licença ou
permissão de cada um. Ele nunca força
ninguém, O Senhor Jesus é terno, delicado.
Ele trata-nos como se nós fôssemos de porcelana e
vem ao nosso encontro a
pequenos passos, para nos não assustar. Por conseguinte, o
Senhor jamais me
forçou. Em cada uma das vezes, me pediu sempre
licença: Permite-Me que
Me sirva da tua mão para
escrever; permite-Me que Me sirva do teu tempo, para escrever. É
isto mesmo o Senhor Jesus.
Rezar sem
cessar...
Um dia, o Senhor
pediu-me que rezasse sem cessar. E EIe
diz isso mesmo a toda a gente:
- Eu gostaria que
vós rezásseis
sem cessar.
Então,
eu disse-Lhe:
- Mas
como, Jesus, sem cessar? isso não me é
possível:
estar vinte e quatro horas seguidas de joelhos, a rezar, rezar, rezar.
E Ele disse-me:
- Vassula, tu não compreendeste nada.
Rezar sem cessar não
é estar vinte e quatro horas seguidas
de joelhos. A oração sem cessar
é estar consciente do teu Deus,
da Sua
Presença.
A
oração sem cessar é a
oração constante o coração
que
deseja Deus. É o coração que tem sede
de Deus. E cumprir o maior dos
mandamentos; porque, se adoramos Deus, com todas as nossas
forças e com toda a
nossa alma, chegaremos a desejar Deus e a ter sede de Deus, todo o dia.
Pensaremos apenas n’Ele. E é isto mesmo a
oração sem cessar. Não é
uma oração
apenas feita com os lábios: é o desejo de Deus,
vindo do coração. Ora, para O
desejar, é preciso amá-Lo. Se desejamos
alguém, é porque ele nos faz falta; e,
se ele nos faz falta, é porque o amamos; e, para o amar,
para amar Deus, é
necessário que nos tornemos íntimos com Ele;
é preciso aproximarmo-nos d’Ele
como uma criança. É este
o maior de todos os mandamentos que é afinal tão
importante como
o segundo, uma vez que este mandamento consiste em amar o
próximo como a si
mesmo. São estes os dois maiores mandamentos. É
isto, pois, que significa orar sem cessar.
(continua...)