A Verdadeira Vida em Deus

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03 de abril de 2006  www.tlig.org/pg.html 

Vassula Ryden e o Vaticano: As Situações anterior e atual por Pe. John Abberton



Vassula Ryden e o Vaticano: As Situações anterior e atual por Pe. John Abberton

O documento conhecido como a “Notificação”, sobre a Senhora Vassula Ryden, foi emitida pela Congregação para a Doutrina da Fé, em 6 de outubro de 1.995. Naquela época, eu não sabia quase nada sobre Vassula Ryden e seus escritos, mas tinha visto o suficiente para ficar apreensivo. Eu não gostei da apresentação – um folheto encadernado contendo as cópias do manuscrito. Pareceu-me bizarro. Eu tinha amigos que acreditavam que seus escritos não mereciam fé. Eles tinham lido alguns deles, e tinham sido convencidos contra os mesmos, por um padre que lhes disse que Vassula era “falsa”. Eu vim a acreditar – baseado no que eles e algumas outras pessoas me disseram – que Vassula não era uma genuína mística. Todavia, devo dizer que algumas coisas relativas a Notificação também pareciam bizarras. Ao mesmo tempo, devo reconhecer, com toda honestidade, que eu não havia pesquisado o suficiente para ter o que se possa chamar de uma opinião considerável.

Sempre tentei ser escrupulosamente honesto ao fazer julgamentos pessoais sobre escritos místicos, pelas seguintes razões:

1. Se eles são genuinamente inspirados ou de origem sobrenatural, eles devem ser respeitados e, lidos ou não, não devem ser tratados com desdém.

2. Se eles não são “de Deus”, podem ser diabolicamente inspirados, e o escritor precisa de ambos, correção e socorro. Aqueles que foram levados a ler as mensagens devem ser tratados com sensibilidade mas firmemente, dando clara advertência para evitar qualquer mal-entendido.

3. Se eles são mais provavelmente produto de uma mente afetada por séria perturbação mental, ou mesmo uma desordem de personalidade razoavelmente substancial (incluindo um malsão ou desonesto desejo de fama), o escritor precisará mais de socorro do que de censura, e, do melhor modo possível, outros devem ser dissuadidos de ler o material

Qualquer que seja a situação, alguns cuidados devem ser tomados ao formar uma opinião, tanto para o bem do escritor quanto daqueles que lêem. Em outras palavras, considerações pastorais são superiores.

Não gostei da Notificação apesar de, ao tempo, não poder dar uma opinião. Quando a li uma segunda vez e conversei com outro sacerdote (que também era cético em relação aos escritos) comecei a ver que a Notificação era imperfeita. O seu “status” legal era questionável porque Vassula é Grega Ortodoxa, e já existe um acordo entre a Igreja Ortodoxa e o Vaticano para o reconhecimento dos direitos dos Cristãos Ortodoxos (Declaração de Balamand, de 1.993). Que uma mulher Grega Ortodoxa fosse submetida a uma advertência deste tipo parecia estranho, e outros levantaram a questão se este processo estava em conflito com a declaração acima mencionada. Talvez estivesse, mas parecia haver uma linha estreita, e nós não tínhamos conhecimento de nenhuma consulta com a hierarquia Ortodoxa. Poderiam as atividades de uma Grega Ortodoxa ser matéria sujeita aos Cânones Legais Católicos Romanos? Então, havia a questão de que tipo de “processo” tinha havido. Como mais tarde disse o Cardeal Ratzinger (Janeiro de 1.999) a Notificação não era uma condenação, mas uma advertência. Não havia uma audiência formal; nenhum “julgamento”. De fato, Vassula não foi consultada, nem havia documentos que tivessem sido preparados por um teólogo/defensor para Vassula nem submetida a ou lida nenhum membro da Congregação antes da Notificação ser publicada. Um princípio vital de conduta, nominadamente, diálogo, parecia estar faltando. Em uma entrevista (à qual já aludimos) em 1.999 (30 dias nº 1 Janeiro de 1999) o Cardeal disse que o procedimento para esclarecer as questões levantadas pela Notificação continuava. A Notificação original foi confirmada em 1996, mas não exatamente três anos após o Cardeal concordar que a investigação não estava acabada.

A situação presente é bastante clara: o procedimento ao qual o Cardeal se referiu está acabado. Sua carta aos Presidentes das Conferências Episcopais da França, Suíça, Uruguai, Filipinas e Canadá não deixam dúvidas de que não há mais necessidade de pedir o parecer da Congregação.

Vassula submeteu suas respostas às perguntas feitas pelo Cardeal Ratzinger. Estas respostas foram aceitas ao ponto de o Cardeal pedir que fossem impressas para serem lidas por todos. Não obstante, ele pediu que fossem impressas nos livros (de A Verdadeira Vida em Deus, que contém os escritos de Vassula), fazendo dos próprios livros uma das fontes das respostas. Obviamente, algumas coisas agora estão claras:

1. Os livros não estão, de modo algum, "proibidos"
2. É permitido aos católicos obter e, por conseguinte, ler os livros.
3. As respostas à Notificação são simplesmente isto - as respostas.

Mais tarde essas respostas eram chamadas de “esclarecimentos úteis”, e em resposta a uma pergunta sobre como o ofício ( da Congregação) responderia a uma pergunta sobre a posição presente em relação a Vassula, o Cardeal replicou: “A situação se modificou”.

Desde que as respostas foram dadas e desde que o Cardeal pediu que elas fossem impressas para que possam ser lidas por todos, não é mais necessário ler a Notificação. Quando perguntas são respondidas, não são as perguntas que importam, mas as respostas. Se eu pergunto a alguém por que escreveu um livro, e me respondem e a resposta é aceitável ao ponto de eu insistir para que a publiquem, qual é a utilidade de se continuar a ler as questões? Elas estão respondidas. Eu posso perguntar por mais detalhes; eu posso até mesmo pedir que a resposta seja repetida, mas se a resposta é substancialmente aceita, a questão não é mais um problema.

Em resumo, podemos dizer – e por amor a justiça devemos dizer, que a advertência contra Vassula não tem mais força. Como as questões sugeridas pela Notificação foram respondidas (ou “esclarecidas”), a Notificação simplesmente não tem o mesmo status que tinha antes. Como uma advertência ela foi publicada antes que qualquer real ou completa investigação fosse feita. Esse procedimento veio a seguir e agora está acabado.

O fato de a Notificação ter entrado para a Acta Apostolicae Sedis (da qual não será removida) não significa que ela tenha alguma força moral. Outros documentos (inclusive ao menos um em uso de Latin em Seminários) também estão na  Acta, mas isto não significa automaticamente que eles retenham a força moral que tinham quando foram publicados. As situações mudam, e aqueles que ainda querem argumentar contra Vassula, referindo-se a um documento que foi, de fato, “esclarecido” deve responder a pergunta : por que o Cardeal Ratzinger pediu que as respostas de Vassula fossem publicadas nos seus livros!

Vale a pena repetir algumas destas coisas pelo bem da clareza.

1. As perguntas feitas pelo Cardeal Ratzinger foram respondidas.
2. O Cardeal não rejeitou as respostas, mas pediu que fossem publicadas.
3. As respostas foram publicadas, atendendo seu pedido específico – NOS LIVROS!!
4. VASSULA NÃO ESTÁ MAIS SOB INVESTIGAÇÃO DO VATICANO! (Por favor, preste especial atenção!)

É inverossímel esperar que o Vaticano faça mais do que já fez no caso de Vassula e “A Verdadeira Vida em Deus”. Aqueles que estão atentos a como a Santa Sé procede nesta matéria, deve honestamente dizer o que mais poderia ou deveria ser feito agora. Em todo caso, é bastante surpreendente e de importância histórica, que tal processo tenha tido lugar enquanto o sujeito (Vassula) ainda está vivo! Já que os livros não foram banidos, o acesso as próprias explicações de Vassula foram, por um tempo considerável, limitadas aos próprios livros a conclusão óbvia de que os Católicos podem ler os livros. O que eles vão fazer com eles, depende – como sempre dependeu – da fé dos homens. Como não há condenação (repito – NÃO HÁ CONDENAÇÃO) e nem pressão moral vem sendo aplicada pelo Vaticano contra aqueles que lêem os escritos, Católicos são livres para fazer de si mesmos o que desejam, sempre se submetendo em obediência a Santa Sé. Onde não existe condenação, a consciência é livre sob as usuais reservas aplicadas nestes casos.

Enquanto ninguém no Vaticano ainda disse, “as mensagens são dignas de fé”, é claro que os escritos não apresentam nenhum perigo a nenhuma fé Católica, proporcionando tudo que é conservado em ordem e nós continuamos, como em todas estas matérias, a acreditar na direção do Espírito Santo, submetendo-nos em obediência ao Santo Padre e aos Bispos em união com ele.




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