Vassula Ryden e o Vaticano: As
Situações anterior e atual por Pe. John Abberton
O documento conhecido como a
“Notificação”, sobre a Senhora Vassula Ryden, foi emitida pela
Congregação para a Doutrina da Fé, em 6 de outubro de 1.995.
Naquela época, eu não sabia quase nada sobre Vassula Ryden e
seus escritos, mas tinha visto o suficiente para ficar
apreensivo. Eu não gostei da apresentação – um folheto
encadernado contendo as cópias do manuscrito. Pareceu-me
bizarro. Eu tinha amigos que acreditavam que seus escritos não
mereciam fé. Eles tinham lido alguns deles, e tinham sido
convencidos contra os mesmos, por um padre que lhes disse que
Vassula era “falsa”. Eu vim a acreditar – baseado no que eles
e algumas outras pessoas me disseram – que Vassula não era uma
genuína mística. Todavia, devo dizer que algumas coisas
relativas a Notificação também pareciam bizarras. Ao mesmo
tempo, devo reconhecer, com toda honestidade, que eu não havia
pesquisado o suficiente para ter o que se possa chamar de uma
opinião considerável.
Sempre tentei ser
escrupulosamente honesto ao fazer julgamentos pessoais sobre
escritos místicos, pelas seguintes razões:
1. Se eles são genuinamente
inspirados ou de origem sobrenatural, eles devem ser
respeitados e, lidos ou não, não devem ser tratados com
desdém.
2. Se eles não são “de Deus”,
podem ser diabolicamente inspirados, e o escritor precisa de
ambos, correção e socorro. Aqueles que foram levados a ler as
mensagens devem ser tratados com sensibilidade mas firmemente,
dando clara advertência para evitar qualquer
mal-entendido.
3. Se eles são mais
provavelmente produto de uma mente afetada por séria
perturbação mental, ou mesmo uma desordem de personalidade
razoavelmente substancial (incluindo um malsão ou desonesto
desejo de fama), o escritor precisará mais de socorro do que
de censura, e, do melhor modo possível, outros devem ser
dissuadidos de ler o material
Qualquer que seja a situação,
alguns cuidados devem ser tomados ao formar uma opinião, tanto
para o bem do escritor quanto daqueles que lêem. Em outras
palavras, considerações pastorais são superiores.
Não gostei da Notificação
apesar de, ao tempo, não poder dar uma opinião. Quando a li
uma segunda vez e conversei com outro sacerdote (que também
era cético em relação aos escritos) comecei a ver que a
Notificação era imperfeita. O seu “status” legal era
questionável porque Vassula é Grega Ortodoxa, e já existe um
acordo entre a Igreja Ortodoxa e o Vaticano para o
reconhecimento dos direitos dos Cristãos Ortodoxos (Declaração
de Balamand, de 1.993). Que uma mulher Grega Ortodoxa fosse
submetida a uma advertência deste tipo parecia estranho, e
outros levantaram a questão se este processo estava em
conflito com a declaração acima mencionada. Talvez estivesse,
mas parecia haver uma linha estreita, e nós não tínhamos
conhecimento de nenhuma consulta com a hierarquia Ortodoxa.
Poderiam as atividades de uma Grega Ortodoxa ser matéria
sujeita aos Cânones Legais Católicos Romanos? Então, havia a
questão de que tipo de “processo” tinha havido. Como mais
tarde disse o Cardeal Ratzinger (Janeiro de 1.999) a
Notificação não era uma condenação, mas uma advertência. Não
havia uma audiência formal; nenhum “julgamento”. De fato,
Vassula não foi consultada, nem havia documentos que tivessem
sido preparados por um teólogo/defensor para Vassula nem
submetida a ou lida nenhum membro da Congregação antes da
Notificação ser publicada. Um princípio vital de conduta,
nominadamente, diálogo, parecia estar faltando. Em uma
entrevista (à qual já aludimos) em 1.999 (30 dias nº 1 Janeiro
de 1999) o Cardeal disse que o procedimento para esclarecer as
questões levantadas pela Notificação continuava. A Notificação
original foi confirmada em 1996, mas não exatamente três anos
após o Cardeal concordar que a investigação não estava
acabada.
A situação presente é bastante
clara: o procedimento ao qual o Cardeal se referiu está
acabado. Sua carta aos
Presidentes das Conferências Episcopais da França, Suíça,
Uruguai, Filipinas e Canadá não deixam dúvidas de que não há
mais necessidade de pedir o parecer da Congregação.
Vassula submeteu suas respostas
às perguntas feitas pelo Cardeal Ratzinger. Estas respostas
foram aceitas ao ponto de o Cardeal pedir que fossem impressas
para serem lidas por todos. Não obstante, ele pediu que fossem
impressas nos livros (de A Verdadeira Vida em Deus, que contém
os escritos de Vassula), fazendo dos próprios livros uma das
fontes das respostas. Obviamente, algumas coisas agora estão
claras:
1. Os livros não estão, de modo
algum, "proibidos"
2. É permitido aos católicos obter e,
por conseguinte, ler os livros.
3. As respostas à
Notificação são simplesmente isto - as respostas.
Mais tarde essas respostas eram
chamadas de “esclarecimentos úteis”, e em resposta a uma
pergunta sobre como o ofício ( da Congregação) responderia a
uma pergunta sobre a posição presente em relação a Vassula, o
Cardeal replicou: “A situação se modificou”.
Desde que as respostas foram
dadas e desde que o Cardeal pediu que elas fossem impressas
para que possam ser lidas por todos, não é mais necessário ler
a Notificação. Quando perguntas são respondidas, não são as
perguntas que importam, mas as respostas. Se eu pergunto a
alguém por que escreveu um livro, e me respondem e a resposta
é aceitável ao ponto de eu insistir para que a publiquem, qual
é a utilidade de se continuar a ler as questões? Elas estão
respondidas. Eu posso perguntar por mais detalhes; eu posso
até mesmo pedir que a resposta seja repetida, mas se a
resposta é substancialmente aceita, a questão não é mais um
problema.
Em resumo, podemos dizer – e
por amor a justiça devemos dizer, que a advertência contra
Vassula não tem mais força. Como as questões sugeridas pela
Notificação foram respondidas (ou “esclarecidas”), a
Notificação simplesmente não tem o mesmo status que tinha
antes. Como uma advertência ela foi publicada antes que
qualquer real ou completa investigação fosse feita. Esse
procedimento veio a seguir e agora está acabado.
O fato de a Notificação ter
entrado para a Acta Apostolicae Sedis (da qual não será
removida) não significa que ela tenha alguma força moral.
Outros documentos (inclusive ao menos um em uso de Latin em
Seminários) também estão na Acta, mas isto não significa
automaticamente que eles retenham a força moral que tinham
quando foram publicados. As situações mudam, e aqueles que
ainda querem argumentar contra Vassula, referindo-se a um
documento que foi, de fato, “esclarecido” deve responder a
pergunta : por que o Cardeal Ratzinger pediu que as respostas
de Vassula fossem publicadas nos seus livros!
Vale a pena repetir algumas
destas coisas pelo bem da clareza.
1. As perguntas feitas pelo
Cardeal Ratzinger foram respondidas.
2. O Cardeal não
rejeitou as respostas, mas pediu que fossem publicadas.
3.
As respostas foram publicadas, atendendo seu pedido específico
– NOS LIVROS!!
4. VASSULA NÃO ESTÁ MAIS SOB INVESTIGAÇÃO DO
VATICANO! (Por favor, preste especial atenção!)
É inverossímel esperar que o
Vaticano faça mais do que já fez no caso de Vassula e “A
Verdadeira Vida em Deus”. Aqueles que estão atentos a como a
Santa Sé procede nesta matéria, deve honestamente dizer o que
mais poderia ou deveria ser feito agora. Em todo caso, é
bastante surpreendente e de importância histórica, que tal
processo tenha tido lugar enquanto o sujeito (Vassula) ainda
está vivo! Já que os livros não foram banidos, o acesso as
próprias explicações de Vassula foram, por um tempo
considerável, limitadas aos próprios livros a conclusão óbvia
de que os Católicos podem ler os livros. O que eles vão fazer
com eles, depende – como sempre dependeu – da fé dos homens.
Como não há condenação (repito – NÃO HÁ CONDENAÇÃO)
e nem pressão moral vem sendo aplicada pelo Vaticano contra
aqueles que lêem os escritos, Católicos são livres para fazer
de si mesmos o que desejam, sempre se submetendo em obediência
a Santa Sé. Onde não existe condenação, a consciência é livre
sob as usuais reservas aplicadas nestes casos.
Enquanto ninguém no Vaticano
ainda disse, “as mensagens são dignas de fé”, é claro que os
escritos não apresentam nenhum perigo a nenhuma fé Católica,
proporcionando tudo que é conservado em ordem e nós
continuamos, como em todas estas matérias, a acreditar na
direção do Espírito Santo, submetendo-nos em obediência ao
Santo Padre e aos Bispos em união com ele.