From: Lista AVVD
Sent: Monday, September 01, 2003 5:42 PM
Subject: Fw: Pope John Paul 1 - Papa João Paulo I

 

A audiência-geral de João Paulo II, na quarta-feira, falou de seu predecessor, Albino Luciani (1912-1978).

 

 

No final da tarde de 28 de agosto de 1978, sábado, meu venerado predecessor foi eleito. Ontem foi o vigésimo quinto aniversário desse evento.

 

Hoje evoco aqueles momentos que tive o júbilo de vivenciar com profunda emoção. Relembro como suas palavras tocaram profundamente os corações das pessoas que enchiam a Praça de São Pedro. Desde o momento da sua primeira aparição no balcão central da Basílica do Vaticano, uma corrente de simpatia espontânea surgiu entre os presentes. Sua face sorridente, seu olhar confiante e aberto conquistaram os corações dos romanos e dos fiéis do mundo inteiro.

 

Vinha da ilustre comunidade eclesial de Veneza, que já tinha dado à Igreja, no século XX, dois grandes pontífices: São Pio X, cujo centenário de eleição como papa comemoramos precisamente neste ano, e o bem-aventurado Papa João XXIII, de cuja morte celebramos em junho o quadragésimo aniversário.

 

 “Abandonemo-nos com confiança à ajuda do Senhor”, disse o novo papa em sua primeira mensagem de rádio. Ele foi, sobretudo, um mestre da fé límpida, sem render-se a modismos passageiros ou mundanos. Ele tratou de adaptar seus ensinamentos à sensibilidade do povo, mas sempre preservando a clareza da doutrina e a consistência da sua aplicação à vida.

 

Mas qual era o segredo de seu fascínio, a não ser um ininterrupto contato com o Senhor?

 

“Você sabe. Eu tento manter uma conversa contínua com Você”, ele anotou num de seus escritos, na forma de uma carta a Jesus. “O importante é que Cristo seja imitado e amado”: aqui está a verdade que, se traduzida numa experiência viva, faz  “o cristianismo e a alegria caminharem bem juntos”.

 

No dia seguinte ao de sua eleição, no Ângelus de domingo, 29 de agosto, após ter relembrado seus predecessores, o novo papa falou: “Eu não tenho nem a sapientia cordis, (sabedoria do coração) do Papa João, nem o preparo e o conhecimento do Papa Paulo, mas estou no lugar deles. Eu devo tentar servir à Igreja.”

 

Ele estava muito unido aos dois papas que o precederam. Fazia-se pequeno perante eles, manifestando a humildade que, para ele, sempre foi a primeira regra da vida. Humildade e otimismo foram as características de sua existência. Precisamente por esses dons, na sua breve passagem entre nós, ele deixou para a Igreja uma mensagem de esperança que encontrou  aceitação em muitos corações. “Ser otimistas apesar de tudo”, gostava de repetir. “A confiança em Deus deve ser o pivô de nossos pensamentos e ações”. E observava com realismo, animado pela fé: “as principais pessoas nas nossas vidas são duas: Deus e cada um de nós”.

 

Sua palavra e sua pessoa penetraram no espírito de todos e, por causa disso, a notícia de sua morte inesperada, que ocorreu na noite de 28 de setembro de 1979, foi avassaladora. Desaparecia o sorriso de um pastor que estava tão perto do povo e que, com serenidade e  equilíbrio, conseguiu entrar em diálogo com a cultura do mundo.

 

As poucas palestras e os escritos que nos deixou como papa somam-se à considerável coleção de seus textos, os quais, 25 anos após sua morte, são  de surpreendente importância na atualidade. Ele disse uma vez: “O progresso entre homens que se amam uns aos outros, considerando-se irmãos e filhos do único Deus e Pai, pode ser uma coisa maravilhosa. Progresso com homens que não reconhecem em Deus o único Pai torna-se um perigo constante.” Quanta verdade há nessas suas palavras, também úteis para os homens de nosso tempo!

 

Possa a humanidade aceitar tão sábio conselho e extinguir os numerosos focos de ódio e violência presentes em tantas partes da Terra, para construir, na concórdia, um mundo mais justo e solidário.

 

Através da intercessão de Maria, de quem João Paulo I sempre se professou afetuoso e devoto filho, rezemos ao Senhor para que Ele receba, no seu reino de paz e júbilo, esse seu devoto servo. Rezemos também para que seu ensinamento, que diz respeito concretamente às nossas situações diárias, seja uma luz para os crentes e para toda pessoa de boa vontade.

 

 

 

 


     (traduzido por Fernando de La Riva - AVVD do Rio de Janeiro - RJ - Brasil)  

     (revisado por Larissa de Freitas Faria – AVVD de Belo Horizonte – MG – Brasil)