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Joinville, 9, 10 e 11 de Novembro de 2001
O padre Michel Cuenot analisa As atividades do Encontro começaram na noite de 9 de novembro na capela do Centro de Formação, com um terço e e apresentações gerais. A primeira palestra foi proferida pelo padre Michel Cuenot sobre uma questão complicada : a Notificação publicada pelo jornal L'Osservatore Romano, orgão oficioso da Igreja Católica , no dia 6 de outubro de 1995, que repudiava as revelações de Jesus à Vassula , em documento não assinado antes da posse do cardeal Joseph Ratzinger , seu atual prefeito. De inicio, o padre Michel esclareceu que todos os presentes querem com certeza, professar com serenidade e paz em seus corações esta profissão de fé: creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. E que alguns dentre nós se pergunta mesmo sobre a oportunidade de organizar encontros destinados a fazer conhecer a pessoa de Vassula Ryden e as mensagens que ela recebe desde novembro de 1985. "Ocorre que, depois de vários anos de 'sucesso', criou-se uma polêmica e uma dúvida a partir da publicação da Notificação do L'Osservatore Romano, datada de 6 de outubro de 1995, que pôs de sobreaviso os fiéis a respeito de possíveis erros contidos nos primeiros cadernos de Vassula. Houve contestações, brigas e proibições da parte de bispos e sacerdotes, criando confusão dentro das comunidades religiosas, dos padres com os bispos, dos bispos entre bispos. Daí a pergunta: é possível ou não viver plenamente a comunhão com a Igreja, viver a Igreja viva, a Igreja una, católica e apostólica?" "Não faltam cristãos e cristãs de boa vontade" , ele continuou, "que procurando a paz interior e a paz na comunidade se abstém por este motivo de pronunciar o nome de Vassula como se fosse vergonha ou mesmo pecado. Assim, é hora de dar alguns esclarecimentos para tranqüilizar as consciências e reativar uma caridade sem fingimento. É preciso caminhar com a graça do Espírito Santo e não apenas com as nossas emoções passageiras. " Daí ter pedido que todos se rezassem com ele, pedindo a presença e a luz do Espírito Santo, para confirmar com Seus Dons aqueles que renasceram pela Sua Graça. E na seqüência colocou como se daria sua palestra: na primeira parte colocaria alguns princípios preliminares usados para todo tipo de discernimento dentro da Igreja. Na segunda parte, faria uma tentativa de aprofundamento de alguns aspectos da Notificação para confrontá-los com a doutrina oficial da Igreja, explicitada na Encíclicas do Papa, nos documentos do Concílio Vaticano II e no Direito Canônico . Finalmente na terceira parte, ele avaliaria as atitudes práticas imediatas e futuras que cada um será chamado a tomar livremente, de acordo com a sua própria consciência, a partir da Notificação ou apesar dela, que afinal como se constataria mais tarde, não passou de uma armadilha do "inimigo" de Deus para retardar a difusão das mensagens de amor de Jesus para a humanidade em vias de se perder, nesses finais de tempos. Definições ex-cátedra Há ainda certas verdades católicas que foram solenemente definidas pelo papa depois de apurada pesquisa, sem a necessidade de se convocar um Concílio Ecumênico. Este processo chama-se uma Definição Ex- Cátedra e que a nossa geração conheceu isso com o Papa Pio IX em 1854 quando ele definiu o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, e do Papa Pio XII no dia 1o. de novembro de 1950 quando foi definido o dogma da Assunção de Maria Santíssima. Dos Concílios saem documentos chamados Constituições, Decretos e Declarações, sem falar nos outros documentos do magistério ordinário como as Cartas Encíclicas do Papa, os estudos feitos no decorrer dos Sínodos dos bispos, os documentos dos vários orgãos da Cúria Romana especialmente da Congregação para a Doutrina da Fé que está a serviço do Papa para todas as questões referentes a fé católica. "Em todos os casos", lembra o padre Michel Cuenot, "a autoridade que promulga um documento deve ser oficial e explicitamente conhecida com a assinatura do remetente. E apesar do parecer de muitos, há então uma liberdade de expressão da Igreja que não obriga ninguém a creditar ao papa a decisão, como se poderia pensar, mas à Santíssima Trindade , cuja vontade nos é conhecida através da mediação da Igreja instituída pela vontade de Cristo." Resumindo, ele diz que todo cristão deve obedecer a todas as decisões feitas pelo papa Ex- Cátedra, em função do seu ministério de confirmar os irmãos na fé , o mesmo servindo para as decisões dos Concílios em assuntos de fé. E em relação a todos os outros documentos se deve examinar qual é a autoridade que publica este documento, qual o assunto do documento, sua coerência com a tradição da Igreja e seu gênero literário. O padre Michel lembra ainda do padre René Laurentin, teólogo mundialmente conhecido por seus trabalhos sobre teologia mariana e as manifestações de Nossa Senhora em Lourdes, La Salette , Medjugorje, que justamente publicou antes da Notificação um pequeno livro Quando Deus dá um Sinal, para responder às objeções contra Vassula e em particular aos ataques que dizem respeito à Trindade. Ora, diz o padre Michel Cuenot, estes dois padres são foram consultados por vários orgãos da Cúria Romana e sempre mostraram total submissão ao Papa. "Os remetentes da Notificação não procuraram conhecer o pensamento de nenhum deles a respeito de Vassula. E mais: a própria Vassula não foi interpelada nem convocada, e nenhum advogado lhe foi outorgado para se defender. Soube da sua condenação pelo jornal e pela rádio como qualquer cidadão." Além disso ele recorda que a Notificação saiu no jornal L' Osservatore Romano, que não é um jornal oficial para a publicação de documentos da Igreja: o jornal oficial é a Acta Apostolicae Sedes ( Os Atos da Sé Apóstolica). E ainda: que ela se apresenta como sendo publicada pela Congregação para a Doutrina da Fé, mas vem sem assinatura, nem do cardeal presidente daquela Congregação, Joseph Ratzinger, nem do secretário que acabava de ser nomeado e ainda não havia sido empossado oficialmente, condição necessária para engajar a responsabilidade daquele orgão. "Neste caso", ele conclui, " pode-se perguntar sobre a legitimidade da autoridade deste documento." Acordos de Ballamand Dessas reuniões saiu um documento em junho de 1993 conhecido como os Acordos de Ballamand, onde se reconhece que a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica ficaram igrejas- irmãs apesar de todas as dificuldades , o que significa que, para realizar a plena unidade, nenhuma delas deve se converter à outra.Enfim resumindo, este documento salienta que as duas Igrejas se comprometeram a respeitar no seu modo de agir sendo que um deles, como lembra o padre Michel, parece proibir definitivamente um processo semelhante ao de Vassula. Ou seja , decidiram que haveria respeito pela vida espiritual e disciplina sacramental da outra igreja, que os bispos e sacerdotes tem o dever diante de Deus de respeitar a autoridade que o Espirito Santo deu aos bispos e sacerdotes da outra Igreja e por esta razão evitar toda interferencia na vida espiritual dos fiéis. Ora, diz o padre Michel não houve consulta, discussão, diálogo e ainda menos respeito da vida espiritual da disciplina sacramental de Vassula que pertence a Igreja Ortodoxa e não à Igreja Romana. "Este processo infeliz", ele constata, " teve, e ainda tem por consequencia o surgimento de uma desconfiança geral dos ortodoxos em relação à Igreja Romana e a sua vontade de respeitar os acordos que ela mesma promoveu com a lucidez da graça no Espirito Santo. E o Patriarca Bartolomeu não escondeu sua surpresa e sua tristeza. É preciso reconhecer aqui que o caso de Vassula , queira ou não, engaja muito mais do que a fidelidade de uma pessoa à obediência devida a seus pastores. Trata-se da dinâmica do movimento ecumênico e do restabelecimento da plena comunhão entre as Igrejas- irmãs." Notemos , ele conclui, " que a maior parte das mensagens de Jesus a Vassula diz respeito à unidade das Igrejas e dos esforços que devemos fazer para contribuir para restabelecer um clima de confiança mútua." do Cardeal Ratzinger Os membros do grupo pediram ao cardeal uma orientação em relação à Notificação e ele respondeu: "Segundo o que me dizeis na vossa carta a respeito dos testemunhos e conversões que são um verdadeiro bem , queremos apenas que procedais com discernimento: não tomeis como Palavra de Deus aquilo que de momento é considerado pela Notificação apenas como humano e pessoal... Podeis continuar a promover seus escritos, mas sempre com discernimento. 'Não extingais o Espírito, não desprezeis as profecias. Examinai tudo e retende o que for bom."(1 Tes. 5,19-21). O segundo sinal de esperança, diz o padre Michel veio do próprio Papa João Paulo II, que disse as seguintes palavras em audiência pública no Vaticano em 16 de agosto de 1996, nove meses após a Notificação: "Eu cordialmente saúdo as pessoas de língua espanhola aqui presentes, especialmente as religiosas da Congregação de Santa Tereza de Jesus e os Grupos Espirituais de A Verdadeira Vida em Deus. Eu desejo a todos um verão espiritual que os auxiliará a reafirmar a sua promessa cristã de maneira que sua generosa resposta a Deus possa ser o testemunho de seu amor no mundo. Eu vos dou com afeto e para os seus, a Benção Apostólica." Diante desses dois testemunhos considera de grande peso e valor, o padre Michel acredita que cada um tem que responder em consciência a esta questão: 'Onde está a Igreja que reclama a minha obediência?' Com o Papa João Paulo II, com sua doutrina ecumênica expressa na Encíclica Ut Unum Sint, com o Direito Canônico, com as conclusões do Concílio Vaticano II, ou com o secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, que não disse seu nome? Ele anota ainda: "que a Igreja Católica não obriga ninguém a acreditar na origem divina das mensagens recebidas por Vassula mas ele espera de todos nós, e principalmente dos guias do povo um conhecimento lúcido e amoroso da sua doutrina." Ao contrário do autor da Notificação ele considera muito mais aspectos positivos, do que negativos nas atividades de Vassula Ryden. Daí continua servindo à Igreja que é sua e nossa mãe , e de quem , ele diz, recebemos a força da graça do Espírito Santo que é sua alma. E conclui sua explanação, dizendo que "podemos ficar serenos e alegrar-nos porque as perseguições não se abatem sobre os amigos do demônio, mas sobre os amigos de Deus." |